Ex-presidente Chen Shui-bian é preso em Taiwan

Acusado de corrupção, ex-líder foi interrogado por seis horas; ele se diz vítima de 'perseguição política'

Agências internacionais,

11 de novembro de 2008 | 08h59

O ex-presidente taiwanês Chen Shui-bian, do independente Partido Democrata Progressista (PDP), foi detido nesta terça-feira, 11, por agentes da Promotoria Anticorrupção e posto à disposição judicial após ser acusação de corrupção e lavagem de dinheiro. A prisão, anunciada pela Promotoria, acontece depois de mais de seis horas de interrogatório e com um dispositivo de segurança de mais de 3 mil policiais para controlar possíveis distúrbios.   "Isso é uma perseguição política", gritou Chen enquanto era levado. O porta-voz da Promotoria, Chen Yun-nan, apresentou como razões para a detenção "a existência de suficientes provas" de sua participação em atos de corrupção, enriquecimento ilícito e lavagem de dinheiro, e disse que pretendia evitar que ele conspirasse com outros acusados para ocultar provas.   Em um emocionado discurso antes do interrogatório, Chen atribuiu a motivos meramente políticos sua possível detenção e disse se tratar de uma intervenção direta do presidente Ma Ying-jeou para apaziguar a ira da liderança chinesa contra sua postura independentista.   "Sou o obstáculo principal para a união planejada pelo governante Partido Kuomintang (KMT) e o Partido Comunista da China (PCCh)", afirmou Chen, antes de finalizar seu pronunciamento com vivas à Taiwan e à independência da ilha. Ele saiu então algemado com as mãos para cima, gritando saudações a Taiwan e se queixando de "opressão política e judicial", diante de centenas de manifestantes, em sua maioria independentistas favoráveis à sua causa.   Chen, em reunião com partidários na última segunda à tarde e no discurso desta terça, explicou que se preparava para entrar em sua "prisão da Bastilha", em referência à Revolução Francesa, e que dedicaria sua vida a proclamar que "Taiwan e China são dois países diferentes."   Comentaristas na ilha temem que a detenção de Chen provoque distúrbios similares aos registrados durante a visita à ilha do negociador chinês, Chen Yunlin, de 3 a 7 de novembro, nos quais ficaram feridos mais de 150 policiais e 60 manifestantes e jornalistas. O ex-líder taiwanês realizou nas últimas semanas uma forte atividade política, com discursos nos quais solicita a criação urgente de uma Taiwan independente da China.   Chen reconheceu, no último dia 14, o envio ao exterior de milhões de dólares para contas bancárias de seus familiares, procedentes de contribuições políticas não-declaradas, segundo ele. A promotoria suspeita que o ex-líder e sua família participaram de cinco casos criminosos de lavagem de dinheiro e suposta corrupção em relação a fundos estatais e projetos de construção pública.   O ex-presidente também é acusado de se apropriar de documentos secretos quando deixou seu cargo, em maio de 2008, escondendo-os do atual governo. Na última semana, o filho, a filha e a nora do ex-líder foram interrogados pela Promotoria Anticorrupção em relação ao julgamento de um ex-alto funcionário que reconheceu ter dado informações a Chen sobre acusações internacionais de lavagem de dinheiro contra sua família. O ex-vice-primeiro-ministro Chiu Yi-jen e outros homens de confiança de Chen foram detidos nas últimas semanas por suposta participação nas acusações que pesam sobre o ex-presidente e seus parentes.  

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