Ex-presidente chileno Allende cometeu suicídio, aponta exame

Resultado saiu dois meses após exumação dos restos mortais do presidente, morto em 1973.

Marcia Carmo, BBC

19 de julho de 2011 | 15h24

Exames divulgados nesta terça-feira indicam que o presidente do Chile Salvador Allende cometeu suicídio dentro do palácio presidencial de La Moneda, quando estava cercado por militares no golpe realizado em 11 de setembro de 1973.

"Foi suicídio", disse o diretor do Serviço Médico Legal do país (SML), Patrício Bustos.

A emissora de televisão TVN e a rádio Cooperativa, de Santiago, informaram que tiros de fuzil automático AK-47 e uma bala atingiram o corpo do presidente.

Os resultados da autópsia de Allende, realizada por especialistas chilenos e espanhóis, foram anunciados dois meses após a exumação dos restos mortais do presidente, realizada em maio passado, a pedido da família e de entidades de direitos humanos.

Até então, restavam dúvidas se o presidente havia mesmo cometido suicídio, como foi informado à época de sua morte, ou se ele havia sido vítima dos disparos dos militares que participaram do ataque ao palácio.

"Podemos garantir que trata-se de uma morte violenta e suicida, do ponto de vista médico legal, e sobre esse fato não temos mais nenhuma dúvida", disse o médico legista espanhol Fernando Etcheverría.

Ele afirmou ainda que o corpo de Allende tinha "uma ferida" (de bala)".

Allende (1908-1973) governou o país entre 1970 e 1973, tornando-se o primeiro político socialista eleito democraticamente na América Latina.

No golpe contra Allende, o então general do Exército, Augusto Pinochet (1915-2006), liderou uma tropa de tanques e aviões militares que jogaram bombas e tiros de canhão contra o palácio presidencial.

Pinochet assumiu a presidência no lugar de Allende, ficando no poder entre 1973 e 1990.

Família

"Tínhamos convicção deste fato (do suicídio), mas é diferente quando existem as provas, incluindo a de balística" disse a senadora Isabel Allende, filha do presidente morto em 1973.

"O presidente Allende estava, naquele dia, diante de uma situação extrema e decidiu tirar a vida antes de ser humilhado ou de qualquer outra situação", afirmou a senadora, diante das câmeras de televisão do Chile.

Para Isabel, o gesto do pai "ratifica a dignidade" do presidente. A senadora disse ainda que a informação deixa a família "tranquila" por saber de fato o que ocorreu.

A investigação sobre a morte de Allende foi reunida em um documento de 500 páginas entregue ao juiz Mario Carrosa, responsável pelo caso.

O mesmo juiz realiza investigações para saber quem foram os pilotos que bombardearam o Palácio de La Moneda durante o golpe.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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