Toussaint Kluiters/Efe
Toussaint Kluiters/Efe

Ex-presidente da Libéria Charles Taylor é condenado a 50 anos de prisão

Juízes consideraram 'tremendo sofrimento' das vítimas na hora de impor pena

30 Maio 2012 | 08h42

O Tribunal Especial para Serra Leoa (TESL) condenou nesta quarta-feira, 30, a 50 anos de prisão o ex-presidente da Libéria Charles Taylor por crimes de guerra e lesa-humanidade cometidos durante a guerra civil que assolou Serra Leoa entre 1991 e 2002.

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Os juízes consideraram especialmente o "tremendo sofrimento" das vítimas na hora de impor sua pena, e rejeitaram os fatores atenuantes, como idade, saúde e circunstâncias familiares de Taylor, propostos pela defesa.

A condenação, que pode ser apelada, é inferior aos 80 anos que pedia a promotoria porque o ex-presidente não participou diretamente na execução dos crimes, mas foi cúmplice dos mesmos dando apoio logístico e moral aos rebeldes de Serra Leoa.

Taylor, de 64 anos e que escutou a pena sem manifestar-se, é o primeiro ex-chefe de Estado sentenciado pela justiça internacional.

O juiz que presidiu o caso, Richard Lussick, esclareceu que os magistrados levaram em conta como fatores agravantes o papel de liderança de Taylor, que durante os anos que durou a guerra civil em Serra Leoa (1991-2002) era presidente do país vizinho, Libéria.

Taylor "usou sua posição única para alimentar os crimes em Serra Leoa em vez de usá-la para promover a paz", segundo Lussick, que destacou que Taylor "beneficiou-se do sofrimento das vítimas para enriquecer com diamantes".

A sentença usou o sofrimento das vítimas como um dos fatores mais importantes na hora de estabelecer a gravidade dos fatos, o que pesou acima de qualquer outra circunstância, como por exemplo sua boa conduta durante sua detenção.

"O impacto dos crimes em longo prazo é devastador para os que sobreviveram: os que tiveram membros amputados são incapazes de realizar tarefas básicas e as mulheres violentadas, assim como seus bebês caso tenham ficado grávidas, foram estigmatizadas por toda vida", assinalou.

A sentença ressaltou que os crimes, entre os quais se encontram assassinatos, mutilações e estupros públicos de mulheres, chamavam atenção por sua "brutalidade".

Os juízes constataram que o apoio de Taylor aos rebeldes em Serra Leoa "prolongou a duração do conflito, que teria acabado antes sem as armas e munição" que forneceu à guerrilha.

A Grã-Bretanha receberá o ex-presidente da Libéria em uma de suas prisões, apesar de ainda se desconhecer em que prisão concretamente.

 

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