Ex-presidente da Libéria inicia defesa em Haia

O ex-presidente da Libéria, Charles Taylor, julgado por crimes pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) em Haia, na Holanda, quer esclarecer seu papel na guerra civil que deixou centenas de milhares de pessoas mortas ou mutiladas em Serra Leoa, disse hoje o advogado Courtenay Griffiths. Segundo ele, seu cliente vai testemunhar amanhã no Tribunal Especial para a Serra Leoa. Taylor é o primeiro chefe de Estado africano a ser julgado numa corte internacional.

AE-AP, Agencia Estado

13 de julho de 2009 | 12h54

O advogado pediu aos juízes que concedam a Taylor uma audiência justa e que não sejam impressionados pelo desfile de misérias apresentado pela acusação desde o início do julgamento, 18 meses atrás. "Ninguém que tenha visto a procissão de pessoas revivendo os traumas mais grotescos nesta sala de julgamento teria ficado intocado", afirmou Griffiths ao painel composto por três juízes. "Nós também somos humanos, mesmo quando declaramos que este homem não seja culpado pelas acusações que enfrenta", disse.

Taylor é acusado de 11 crimes de assassinato, tortura, estupro, escravidão sexual, de usar crianças como soldados e de espalhar o terror. A relevância do caso parece ter aumentado com a recusa do presidente do Sudão, Omar al-Bashir, em responder às notificações na TPI para responder as acusações de crimes contra a humanidade em Darfur. A maioria dos líderes africanos tem apoiado al-Bashir na sua investida contra a Corte e se recusa a detê-lo.

Taylor se formou em economia nos Estados Unidos e passou por treinamento militar na Líbia antes de chegar ao poder como senhor da guerra na Libéria e ser eleito presidente em 1997. A acusação no tribunal da Organização das Nações Unidas (ONU) diz que ele apoiou os rebeldes de Serra Leoa a conquistar o controle do país vizinho e a controlar sua riqueza mineral. Cerca de 91 testemunhas convocadas pela acusação afirmaram que ele enviou armamentos para os rebeldes em sacos de arroz, contrariando o embargo de armas ao país, e obteve, como pagamento, os chamados "diamantes de sangue", extraídos por trabalhadores escravos.

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