Ex-presidente da Nicarágua é destituído da chefia do Legislativo

O ex-presidente nicaragüense Arnoldo Alemán foi destituído nesta quinta-feira como presidente da Assembléia Nacional por uma nova maioria legislativa integrada por sandinistas e liberais e corre risco de ter seu mandato suspenso. Alemán, que governou a Nicarágua entre janeiro de 1997 e janeiro de 2002, foi destituído com o voto de 47 dos 48 deputados presentes à sessão da qual não participaram 45 deputados de seu partido. A suspensão do mandato permitiria que Alemán enfrentasse um processo sem precedentes no país, por fraude ao Estado e lavagem de US$ 100 milhões. Alemán afirmou hoje que lutará para retornar seu lugar à frente do Parlamento e que usará "de todos os recursos previstos nos estatutos, os regulamentos e de tudo que diz a lei e a Constituição da Nicarágua". O líder sandinista Daniel Ortega, por sua vez, disse que, com a votação de hoje, "se cumpriu a vontade soberana do povo nesse Parlamento para destituir a presidência, que era cativa de Alemán". A nova maioria, integrada por 38 deputados sandinistas e 11 liberais opositores, deverá nomear uma junta para presidir a Assembléia, que deverá examinar a suspensão do mandato de Alemán.A nova junta dirigente do Legislativo, de sete membros, deverá ser presidida pelo deputado liberal Jaime Cuadra, ao lado de outros quatro liberais e três sandinistas.A destituição de Alemán foi apoiada hoje por uma grande manifestação que, desafiando a chuva persistente, foi liderada pelo ex-presidente e líder sandinista Daniel Ortega. Os manifestantes, que usavam os clássicos lenços rubronegros dos sandinistas, exibiam cartazes e pediam em coro o afastamento de Alemán. A marcha, vigiada por mais de 1.400 policiais que criaram uma zona de segurança em torno da Assembléia Nacional, transcorreu sem incidentes.A sessão da Assembléia se realizou com uma hora e meia de atraso porque quando os deputados chegaram ao local não havia energia nem água potável, e os funcionários da Casa haviam sido dispensados de comparecerem hoje ao trabalho pelos arnoldistas.

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