Ex-presidente de Israel é condenado por estupro

Um tribunal israelense sentenciou hoje o ex-presidente de Israel, Moshe Katsav, a sete anos de prisão por estupro, rejeitando um pedido de clemência para o político. Katsav será a mais alta autoridade de Israel já sentenciada a uma pena de prisão. Ele permaneceu impassível durante grande parte do veredicto, mas chorou quando a sentença foi revelada e gritou aos juízes: "Vocês erraram, isso é uma mentira! A garota sabe que é uma mentira". Katsav saiu do tribunal acompanhado por seus seguranças e seus dois filhos. Os advogados do ex-presidente vão apelar da sentença.

AE, Agência Estado

22 de março de 2011 | 15h55

Em dezembro, o tribunal distrital de Tel-Aviv condenou Katsav, de 65 anos, por ter estuprado uma ex-empregada e por assediar sexualmente duas outras mulheres que trabalhavam para ele. Também foi condenado por atos indecentes e por obstruir o trabalho da Justiça. O estupro ocorreu antes de Katsav virar presidente em 2000, enquanto os outros dois crimes ocorreram após ele tomar posse, no começo da década passada.

O painel de três juízes afirmou que o histórico de prestação de serviço público do ex-mandatário não é motivo para que a pena fosse atenuada. O tribunal ordenou que ele se apresente a uma prisão israelense em 8 de maio para cumprir a pena, o que dá tempo aos advogados de defesa para apelar da sentença. Katsav precisará pagar multas de US$ 25 mil e US$ 7 mil a duas das vítimas. "O acusado cometeu os crimes como qualquer outra pessoa e precisa ser punido como qualquer outra pessoa", disse o juiz George Kara. "A mensagem que este tribunal envia precisa ser clara e dura".

Caso

O caso começou há cinco anos, quando Katsav reclamou na polícia que uma ex-empregada estava extorquindo dinheiro dele. A ex-empregada procurou a polícia e contou outra versão da história. Pouco depois, outra mulher procurou a polícia e acusou Katsav de assédio sexual.

Em dezembro, um tribunal em Tel-Aviv afirmou que Katsav estuprou duas vezes uma mulher que trabalhou para ele, quando o político era ministro do Turismo, no final da década de 1990. Além disso, o tribunal disse que o ex-mandatário assediou outras duas mulheres que trabalhavam para ele quando já era presidente, entre 2000 e 2007. O tribunal afirma que os depoimentos de Katsav tinham contradições e ele foi chamado de "manipulador".

Katsav nega as acusações e afirma que sofre perseguições políticas porque sua família, embora judia, é originária do Irã. "Não podemos esquecer que o condenado não é uma vítima, mas um agressor", disse o juiz Kara. Nem a mulher do político, Gila, nem as três mulheres que o acusaram estavam presentes hoje no tribunal. As informações são da Associated Press.

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