Ex-presidente de Israel é declarado culpado em 2 casos de estupro

Chefe de Estado israelense entre 2000 e 2007, Moshe Katsav está sendo investigado desde 2006

EFE,

30 de dezembro de 2010 | 08h36

JERUSALÉM - O ex-presidente de Israel, Moshe Katsav, foi declarado culpado nesta quinta-feira, 30, por dois delitos de estupro e vários outros de assédio sexual, após quatro anos de investigação e um processo judicial cercados de grande polêmica política.

 

A sentença do Tribunal do Distrito de Tel Aviv condenou Katsav por dois estupros a uma ex-funcionária do Ministério do Turismo, pasta que ocupou entre 1996 e 1999, e de abuso e assédio sexual a duas outras servidoras da Presidência, na qual esteve de 2000 a 2007, e de outros delitos menores como abuso de poder, obstrução à justiça e assédio a testemunhas.

 

"A denunciante de violação ('A' de Turismo) disse a verdade, e segundo a lei ficou provado que não houve consentimento de sua parte", sustentaram os juízes ao descrever o testemunho de Katsav como "semeado de mentiras".

 

O juiz George Kara, presidente do Tribunal, disse que o ex-presidente "produziu provas o tempo todo" para desmerecer as acusações.

 

Mas esclareceu que as provas falam por si e demonstram que ele se "aproveitou de sua autoridade e da força física" para violar à funcionária.

 

Pela ata de acusação, o ex-chefe do Estado, casado e pai de cinco filhos, violou a funcionária de Turismo em um hotel e no escritório no segundo semestre de 1998.

 

Com 65 anos e nascido no Irã, Katsav renunciou em 29 de junho de 2007, após fortes pressões políticas que haviam começado um ano antes ao denunciar ao Procurador-geral do Estado que estava sendo extorquido por uma ex-funcionária da Presidência, conhecida pela inicial "A" e cujo caso não estava incluído no atual processo por falta de provas.

 

O ex-presidente revelou com isso o que se transformaria para ele em um pesadelo, com denúncias de ao menos outras nove mulheres por diferentes delitos sexuais.

 

Acordo. Um dia antes de apresentar sua renúncia, seus advogados chegaram a um acordo com a Promotoria fora dos tribunais, pelo qual ele deveria ter se declarado culpado de vários delitos de assédio, mas não de violação - o que teria o eximido de prisão.

 

No entanto, ao chegar aos tribunais dez meses depois para pedir ao Tribunal que referendasse o acordo, o ex-presidente se retratou no último momento e, sem descer do automóvel, abandonou o local em frente às câmeras de televisão.

 

"Katsav fez uma arriscada aposta acreditando que a Promotoria não tinha provas suficientes contra ele", explicou uma jornalista do "Canal 2" de televisão, que transmitiu a sessão ao vivo.

 

Em março de 2009, a Promotoria o processou formalmente e restituiu na ata de acusação os dois delitos de violação, que devem levar o ex-presidente à prisão assim que o tribunal ditar sentença.

 

16 anos. "A justiça israelense estabelece até 16 anos de prisão para os casos de violação, e não há nenhum juiz que até agora se tenha abstido de enviar a prisão um violador", explicou o jornalista Gay Peleg, do "Canal 2".

 

Segundo a sentença do tribunal, formado por um homem e duas mulheres, "o acusado cometeu um erro ao acreditar que o Estado não poderia provar" as denúncias contra ele e que graças a seu cargo poderia se sobrepor a justiça.

 

Nesta quinta-feira, dezenas de mulheres se manifestaram com cartazes em frente aos tribunais para encorajar outras vítimas a denunciar os delitos de assédio sexual e assentar com o caso do ex-presidente um precedente claro nas normas nacionais de conduta.

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