Ex-presidente diz que não há risco de golpe na Bolívia

Carlos Mesa afirma que Forças Armadas apóiam Evo, e tentativa sem participação militar é impensável

MARINA GUIMARÃES, Agencia Estado

11 de setembro de 2008 | 10h01

Apesar do confronto na Bolívia, o presidente Evo Morales não vive um processo de golpe, segundo análise do ex-presidente Carlos Mesa, que governou de outubro de 2003 a junho de 2005. "A maioria das Forças Armadas está apoiando Evo e um golpe sem a participação das Forças Armadas é impensável. Minha impressão é de que as Forças Armadas mantêm o compromisso com o presidente", afirmou Mesa.   Veja também: Forças Armadas vigiarão dutos após ataques na Bolívia Petrobras suspende operações em oleoduto Evo pede expulsão de embaixador dos EUA na Bolívia Entenda os protestos da oposição na Bolívia Enviada do 'Estado' mostra imagens dos protestos na Bolívia   Imagens das manifestações   "Em La Paz estamos em uma tranqüilidade sem igual para o grau de confrontação existente nas demais regiões. Normalmente é aqui (La Paz) onde se vive a convulsão e agora é o contrário. A estabilidade do governo se decide nessa cidade e não há possibilidade de pensar em um golpe de Estado porque, para que isso acontecesse, La Paz teria que estar em convulsão", ressaltou o ex-presidente.Mesa opinou ainda que a não intervenção dos militares para conter a ocupação dos edifícios públicos, bem como o ataque ao gasoduto que provocou a redução de 10% na oferta de gás natural ao Brasil, faz parte da estratégia oficial de evitar maiores confrontos. "O governo não quer usar as Forças Armadas nas ruas com arma de fogo para evitar maiores conseqüências repressoras contra os opositores", destacou, analisando que "essa é uma decisão arriscada porque coloca o governo no limite".Segundo Mesa, "as regiões estão pressionando para obrigar uma reação repressiva, que colocaria os opositores como vítimas da situação, e o governo, por sua vez, ao não reprimir as ações dos manifestantes, está correndo o risco de perder o controle da situação". O ex-presidente da Bolívia também fez a advertência de que o governo de seu país "não tem como garantir que não ocorrerão novos ataques contra os campos de gás e os gasodutos que levam o insumo para o Brasil e a Argentina". Ou seja, em lugar de 10% menos de gás durante os próximos 10 a 15 dias, enquanto o estrago é reparado, o Brasil poderia sofrer com maiores cortes.Sem desconsiderar os graves incidentes que ocorrem no país há mais de duas semanas, o ex-presidente argumentou que "o clima não é de golpe também pelo fato de que os confrontos graves só estão ocorrendo em três dos nove departamentos - Beni, Santa Cruz e Tarija -, e em menor grau em Pando e Chuquisaca, enquanto que em Potosí, Oruro, La Paz e Cochabamba não há confrontos".

Tudo o que sabemos sobre:
BolíviacriseCarlos Meza

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.