Ex-presidente do Paraguai condenado por corrupção

Um tribunal de Assunção condenou o ex-presidente do Paraguai Luis González Macchi (1999-2003) a seis anos de prisão, por ter desviado para os Estados Unidos, de forma fraudulenta, US$ 16 milhões de dois bancos que estavam sob intervenção durante sua gestão. A pena será cumprida na penitenciária de Tacumbú, em Assunção. "Estamos preparados para receber todos os golpes e vamos apelar. É um erro de julgamento e vamos recorrer", afirmou Macchi pouco depois de ouvir a sentença. O dinheiro desviado, pertencentes aos bancos privados que estavam sob intervenção do Banco Central paraguaio, foram investidos em negócios de "alto rendimento" nos EUA. Mas o valor será quase todo repatriado, por decisão de um juiz de Nova York.A condenação é inferior aos dez anos de prisão pedidos pela promotora Victoria Acuña ao Tribunal de Sentenças. A Promotoria acusou González Macchi de lesão de confiança, como suposto responsável pelo envio dos US$ 16 milhões a um banco dos EUA para operações de alto rendimento.González Macchi sempre se disse inocente e garantiu que não teve conhecimento direto do caso. O ex-superintendente do Banco Central, José Pecci, foi condenado a oito anos; o ex- membro do diretório Julio González Ugarte, a dez; e os intermediários financeiros Fernando Rodríguez e Ramón Guillén, a sete anos cada um.Outras acusaçõesO ex-presidente enfrenta outros processos, entre eles um por suposto desvio de fundos de um programa de ajuda a agricultores, e outro por suposto enriquecimento ilícito, aberto após a descoberta de uma conta secreta na Suíça com mais de US$ 300 mil.Macchi também é acusado de fraudes em processos de privatização, uso fraudulento do orçamento presidencial, seqüestro e torturas de dois militares de esquerda, mau desempenho de funções pela deterioração geral da economia do país e do empobrecimento da população.Ele também teve de devolver um carro de luxo roubado no Brasil, quando foi comprovado que o veículo pertencia a um executivo de uma multinacional, que vivia em São Paulo. González Macchi, de 58 anos, chegou ao poder após a grave crise ocorrida no país em março de 1999, como conseqüência do assassinato do vice-presidente Luis María Argaña e da renúncia do então presidente, Raúl Cubas.

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