Ex-presidente do Uruguai é preso por crimes da ditadura

O ex-presidente uruguaio Juan María Bordaberry foi preso nesta sexta-feira, acusado de participação na morte de dissidentes durante o seu governo, na década de 70. Bordaberry se apresentou à prisão central da capital do país, Montevidéu. Um juiz havia pedido a prisão do ex-presidente e de seu ministro das Relações Exteriores, Juan Carlos Blanco, na quinta-feira, para serem julgados por quatro homicídios. Duas das vítimas eram políticos uruguaios exilados durante o regime militar no país, Zelmar Michelini e Hector Gutierrez. Eles foram detidos em suas residências na Argentina em 18 de maio de 1976. Seus corpos baleados foram encontrados ao lado dos de dois militantes de esquerda quatro dias depois dos dois políticos terem sido presos. Prioridade Grupos de defesa dos direitos humanos dizem que as mortes foram resultado de uma cooperação secreta que existiu entre os governos de direita da América Latina nos anos 70 e 80, entre eles os da Argentina e do Uruguai. Essa cooperação, que teria envolvido também o Brasil, ficou conhecida como Operação Condor. Juan María Bordaberry foi eleito democraticamente em 1971, mas, no ano seguinte, ao lado de militares, dissolveu o Congresso e baniu partidos políticos. Os militares uruguaios assumiram o controle total do país em 1973 e depuseram Bordaberry três anos depois. Eles governaram até o retorno da democracia, em 1985. Durante o regime militar, se calcula que cerca de 180 pessoas foram mortas por motivos políticos no Uruguai. A anistia dada aos militares em 1985 não se aplica ao civil Bordaberry. O atual governo de esquerda de Tabaré Vázquez disse que faria da investigação dos abusos cometidos durante o período militar uma prioridade.

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