Pablo La Rosa/ Reuters
Pablo La Rosa/ Reuters

Ex-presidente do Uruguai, Mujica anuncia fim de carreira política para cuidar da saúde

Ele afirmou a jornalistas que se retirará da política definitivamente por conta de uma doença imunológica crônica e explicou que cumprirá o mandato até outubro e se aposentará  

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2020 | 16h34
Atualizado 28 de setembro de 2020 | 21h41

MONTEVIDÉU - O ex-presidente uruguaio  José "Pepe" Mujica anunciou sua retirada definitiva da política do país por conta de uma doença imunológica crônica, informou aos jornalistas nesta segunda-feira, 28. O político, que atualmente é senador, vai cumprir o mandato até outubro e se aposentar.

“Amo política e não quero ir embora, mas amo ainda mais a vida. E já que estou para ir embora, tento esticar os minutos que me restam. Que defeito, hein?”, disse à imprensa o senador da Frente Ampla, coalizão de esquerda que governou o Uruguai entre 2005 e 2020, momentos antes de votar nas eleições locais, no domingo.  O ex-presidente revelou hoje que, por conta da doença imunológica, não poderá tomar uma vacina contra o novo coronavírus (Sars-CoV-2) quando ela for disponibilizada.

Apesar de ele próprio ter insinuado antes que deixaria o Senado em outubro - pelo qual conquistou uma vaga nas eleições de 2019 - no domingo, ele comentou que, se puder, "deixará o cargo mais cedo". Ele havia renunciado ao cargo no Senado em 2018, alegando que "estava cansado da longa viagem" e se afastaria "antes de morrer de velho", mas decidiu voltar ao Congresso no ano passado.

“Estou prestes a sair por causa da minha idade, porque tenho uma doença imunológica crônica e é lógico que a política obriga as relações sociais. Se tenho de me cuidar, não posso falar, e não posso ir de um lado e para o outro, então estou como um mau senador", argumentou Mujica, que fez 85 anos em maio.

O ex-presidente, que fez campanha apoiando um dos três candidatos da Frente Ampla para a Prefeitura de Montevidéu, Álvaro Villar, dedicou especial atenção às eleições locais de domingo. “Se o mundo continuar esse processo de globalização, as questões municipais provavelmente assumirão cada vez mais importância, enquanto as questões nacionais serão regidas por tratados e convenções internacionais”, disse ele.

'Meu legado será diminuir a desigualdade', relembre a entrevista ao 'Estadão' em 2014:

Mujica tem uma longa carreira política e militante, sendo que durante a sua juventude, ele fez parte da guerrilha dos Tupamaros que lutava contra a ditadura militar no país - o que lhe rendeu 13 anos de prisão. Ele foi libertado apenas após o fim do regime.

No poder, acabou ficando conhecido mundialmente por sua posição e vida simples - até hoje, ele se locomove com um velho fusca azul - e por ter um governo mais progressista, com a descriminalização do aborto e com a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Além disso, doou grande parte de seu salário na presidência por considerar que no Uruguai "vivem muitas pessoas pobres".

Esquerda mantém o governo de Montevidéu, mas perde três departamentos

A esquerdista Frente Ampla conseguiu manter apenas três dos seis governos departamentais que controlava, incluindo seu reduto em Montevidéu, nas eleições de domingo no Uruguai, marcadas pela pandemia de covid-19.

A prefeita eleita da capital é a engenheira Carolina Cosse (51,66%), que foi a candidata mais votada dentro da FA e superou assim a economista Laura Raffo (39,68%), representante da coalizão do governo nacional, de acordo com os dados oficiais da Corte Eleitoral, que concluiu a apuração na madrugada de segunda-feira. 

A capital uruguaia, onde mora mais de um terço da população do país (1,3 dos 3,4 milhões de habitantes), se consolida assim como o reduto da esquerda: a FA consegue o sétimo governo consecutivo desde 1990.

Mas das outras cinco prefeituras que a FA controlava, o movimento conseguiu manter apenas duas: Canelones, o segundo departamento com maior população do país, com mais 500 mil habitantes, e Salto. 

Rocha, Rio Negro e Paysandú serão governados por políticos da coalizão de governo, liderada pelo Partido Nacional do presidente Luis Lacalle Pou, que no total ficou com 16 dos 19 departamentos do país. 

A taxa de participação foi de 85% dos 2,6 milhões de uruguaios convocados a escolher os governadores dos 19 departamentos, além dos prefeitos, vereadores e integrantes das 19 juntas legislativas locais.

O Uruguai organizou eleições com máscaras, distanciamento e álcool gel para não colocar em risco o controle da pandemia de covid-19: o país registra 2.008 casos e 47 vítimas fatais. /EFE, ANSA e AFP

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