Ex-presidente é assassinado no Afeganistão

Diretor do Conselho de Paz, que liderou oposição contra o regime dos Taleban, Rabbani foi morto por um terrorista que usava turbante-bomba

CABUL, O Estado de S.Paulo

21 Setembro 2011 | 03h07

O ex-presidente do Afeganistão, Burhanuddin Rabbani, foi assassinado na casa dele, em Cabul, ontem. Rabbani liderava o Alto Conselho de Paz, criado em 2010 para negociar com os insurgentes do Taleban o fim dos conflitos que duram uma década. Segundo o governo afegão, um homem-bomba detonou explosivos escondidos sob o turbante.

O suicida foi levado à casa de Rabbani por Rahmatullah Wahidyar, ex-ministro do regime Taleban e uma pessoa até então da confiança de Rabbani. Os dois homens não foram revistados antes de entrar na casa por ordem de Rabbani, segundo um integrante do Conselho de Paz, que preferiu não se identificar.

"Ele era um patriota que sacrificou a vida", disse o líder afegão Hamid Karzai, em Nova York, após reunir-se com o presidente dos EUA, Barack Obama. Segundo a missão do Afeganistão na ONU, Karzai interromperia a viagem para voltar a Cabul hoje.

Obama definiu a morte de Rabbani como uma "perda trágica". Mas tentou atenuar o efeito do assassinato de mais um líder afegão sobre o processo de paz. "Apesar do incidente, não seremos dissuadidos de criar um caminho pelo qual os afegãos poderão viver em liberdade, ter segurança e prosperidade", disse.

A explosão deixou três pessoas gravemente feridas - incluindo Mohammad Masoom Stanekzai, também integrante do Conselho de Paz. "Foi um golpe contra o processo de paz", disse a deputada Shukria Barakzai.

Rabbani era um dos sete líderes mujahedin (soldados islâmicos) que lutaram com apoio militar e financeiro da CIA contra os comunistas nos dez anos de ocupação soviética no Afeganistão, entre 1979 e 1989. Após vitória sobre os russos, ele foi nomeado presidente interino e, com a ascensão do Taleban ao poder, liderou a única força coesa de oposição contra os radicais islâmicos.

Durante o regime, manteve o domínio de 10% do país - a Província de Badakhshan, no norte, e o Vale do Panshir - com a ajuda de seu então chefe militar, Ahmed Shah Massoud, assassinado dois dias antes dos atentados de 11 de setembro de 2001, em Nova York, por dois terroristas da Al-Qaeda disfarçados de jornalistas.

Rabbani foi o terceiro homem próximo de Karzai assassinado em casa nos últimos três meses. Em julho, o meio-irmão do presidente, Ahmed Wali Karzai, importante aliado dos EUA no sul do país, reduto dos Taleban, foi morto a tiros por um de seus seguranças. Dias depois, atiradores invadiram a casa do governador de Oruzgan, Jan Mohammed Khan, e o mataram.

Os recentes assassinatos de funcionários de alto escalão do governo e figuras proeminentes no Afeganistão, além de ataques terroristas espetaculares, como os atentados quase simultâneos à Embaixada dos EUA e à base da Otan em Cabul, na semana passada, demonstram a fragilidade da segurança, num momento em que as tropas estrangeiras se preparam para deixar o país.

As forças de coalizão lideradas pelos EUA no Afeganistão somam 150 mil soldados. Pelo menos 30 mil deles voltarão para casa até o início de 2012 e o restante, gradualmente, até 2014, deixando a segurança inteiramente nas mãos dos militares e policiais afegãos. / NYT e REUTERS

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