Ex-presidente é lembrado em discurso

Herança econômica de Roosevelt, porém, não é unânime entre especialistas

Michael Kranish, O Estadao de S.Paulo

24 de janeiro de 2009 | 00h00

Enquanto Barack Obama se preparava para tomar posse, os ecos de um de seus maiores inspiradores, Franklin Delano Roosevelt e as medidas por ele adotadas no combate à Grande Depressão, ressoavam por toda parte. O apelo de Obama ao Congresso para "agir com coragem", assemelha-se ao apelo feito por FDR em sua posse, quando pediu "ação, ação agora". O pedido de Obama para que o governo adote um programa de gastos públicos baseia-se na convicção de que o New Deal de Roosevelt tirou o país da depressão na década de 30. A ênfase do atual presidente na criação de empregos "verdes" lembra o programa Civilian Conservation Corps, de Roosevelt. O próprio pôster emblemático de Obama parece uma versão atualizada do cartaz da Administração para o Progresso do Trabalho, de Roosevelt. Embora Obama se inspire em Roosevelt, a iniciativa surge em meio a um debate entre historiadores para estabelecer se o New Deal merece a fama que tem. Recentemente, enquanto Obama se dedicava a vender seu plano econômico, alguns conservadores resolveram denunciar o New Deal como um fracasso, argumentando que dependeu excessivamente de impostos, gastos e subsídios. "Obama extraiu as lições erradas do New Deal", afirmou Burton Folsom Jr., autor de um novo livro que contribuiu para reacender a controvérsia. Folsom argumenta que Roosevelt exagerou em sua corrida à criação de empregos; que aumentou excessivamente os impostos, particularmente dos mais ricos; e seus gastos oneraram o país com dívidas durante anos. Mas Jonathan Alter, autor de The Defining Moment ("Momento de Definição"), sobre os primeiros cem dias de Roosevelt, disse que "a ideia de que o pacto não funcionou é um absurdo da direita". Embora tenha afirmado que algumas das medidas iniciais de Roosevelt fracassaram, a lição fundamental foi que ele exerceu pressões para a rápida aprovação de programas que proporcionaram empregos e restauraram a confiança dos americanos. Obama, porém, já alertou que não pretende copiar o New Deal porque "nenhum período é exatamente o mesmo". Quanto à teoria econômica, Obama deu aos seus assessores instruções semelhantes à defesa da experimentação de FDR: "Se fracassar, admita-o e tente outra coisa."Folsom, para justificar sua tese contra o New Deal, cita o secretário do Tesouro de Roosevelt, Henry Morgenthau. "Nós procuramos gastar. Gastamos mais do que nunca e não funcionou. Agora estamos com uma enorme dívida para pagar".Mas, para outros historiadores, Roosevelt devia ter incrementado ainda mais os gastos. O argumento é que a economia desacelerou em 1937, quando FDR procurou equilibrar o orçamento. Foi só depois dos enormes gastos feitos durante a 2ª Guerra que a Grande Depressão foi debelada. É por isso que alguns historiadores dizem que a lição que Obama pode tirar do New Deal é que ele deve gastar ainda mais e persistir nesses gastos até se assegurar de que a atual recessão chegou ao fim.

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