Presidência Argentina/AFP Photo
Presidência Argentina/AFP Photo

Ex-presidente FHC se reúne com Macri com conselhos políticos e eleitorais

A experiência de Fernando Henrique Cardoso numa transição política ordenada é apontada como a mais valiosa para os analistas políticos argentinos

Márcio Resende, especial para o Estado, Buenos Aires, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2019 | 21h10

O presidente argentino, Mauricio Macri, recebeu na quarta-feira (21) na residência oficial o ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso com conselhos políticos e eleitorais em meio à crise argentina cuja possível solução, segundo analistas, passa pelo exemplo brasileiro de 2002.

Como poucas vezes antes, desde que deixou o cargo de presidente, depois de dois mandatos consecutivos, o nome de Fernando Henrique Cardoso ouviu-se tanto na Argentina como agora.

O ex-presidente surgiu como exemplo a ser seguido desde que as urnas argentinas revelaram a contundente vitória do candidato opositor Alberto Fernández sobre Mauricio Macri nas eleições primárias que funcionaram como um primeiro turno virtual.

Com o resultado, surgiu uma inédita anomalia política que poderia afetar a governabilidade no país. De um lado, um presidente formal, mas enfraquecido; do outro, um candidato com poder, mas que ainda não foi eleito. Os mercados observam a falta de timão na economia somada às incertezas política e castigam a Argentina.

"Macri está enfraquecido porque as suas chances são muito limitadas, mas não há um novo presidente eleito. Ou seja: o velho formalmente existe, mas na prática tem pouca influência, e o novo ainda não existe, mas gera incertezas sobre o que vai fazer. Os mercados percebem esse vácuo de autoridade", explica o analista político Sergio Berensztein.

Berensztein faz parte de uma lista de analistas que apontam ao exemplo de Fernando Henrique Cardoso.

"Para evitar o caos financeiro e garantir a governabilidade, o ideal seria o que aconteceu em 2002 com o então presidente Fernando Henrique Cardoso e o então candidato (Luiz Inácio) Lula (da Silva) que assinou um documento que dizia aos investidores estrangeiros que pagaria a dívida e que não seriam como a Argentina de 2001 que tinha declarado a moratória", relembra Berensztein.

"Uma coordenação total entre Macri e Fernández, sentados como dois estadistas, seria uma história tão romântica que não seria a Argentina real", lamenta.

Os analistas argentinos referem-se à "Carta ao povo brasileiro" de junho de 2002, antes das eleições de outubro daquele ano que consagrariam Lula presidente.

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