Claudio Santana/AP
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Ex-presidente Fujimori se diz orgulhoso de ter dado 'autogolpe' em 1992

Além do fechamento do então Congresso bicameral, o ex-presidente peruano ordenou a reorganização do Poder Judiciário, do Conselho Nacional da Magistratura, do Tribunal de Garantias Constitucionais e do Ministério Público

O Estado de S. Paulo

05 Abril 2017 | 16h28

LIMA - O ex-presidente do Peru Alberto Fujimori (1990-2000) declarou nesta quarta-feira, 5, ser "o arquiteto da democracia moderna" em seu país, ao justificar o fechamento do Congresso há 25 anos e a intervenção no Poder Judiciário no chamado "autogolpe" de 1992.

"O arquiteto da democracia moderna, perdão que lhes diga isso, fui eu. Quem gerou a Constituição que hoje todos respeitam", escreveu Fujimori hoje no Twitter, quando se completam 25 anos da instauração do "governo de emergência e reconstrução nacional".

O ex-presidente condenado a 25 anos de prisão acrescentou que "para fazer omelete é preciso quebrar ovos. Alguém tinha de fazer. Da prisão lhes digo: Valeu a pena!".

Além do fechamento do então Congresso bicameral, Fujimori ordenou a reorganização do Poder Judiciário, do Conselho Nacional da Magistratura, do Tribunal de Garantias Constitucionais e do Ministério Público.

Horas depois do "autogolpe", agentes de inteligência detiveram o jornalista investigativo Gustavo Gorriti e, meses depois, o empresário Samuel Dyer, e os mantiveram em celas do Comando-Geral do Exército, casos pelos quais Fujimori foi sentenciado por sequestro.

"Da minha prisão lhes pergunto: Como era o Peru antes de 5 de abril de 1992? Era o país da insegurança, incerteza e instabilidade", afirmou Fujimori.

O ex-presidente sentenciado por abusos dos direitos humanos e corrupção acrescentou que em 5 de abril de 1992 "não se matou a democracia, ela foi salva", porque 80% dos peruanos aprovou a medida, e pediu aos mais jovens que perguntem a seus pais.

Fujimori ressaltou que a Constituição aprovada em 1993 por um Congresso Constituinte segue vigente e as eleições presidenciais de 1995 lhe deram um respaldo de 64% nas urnas, contra seu oponente de então, o diplomata Javier Pérez de Cuéllar, ex-secretário-geral das Nações Unidas. / EFE

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