Ex-presidente Khatami pede calma na crise nuclear com Irã

O ex-presidente do Irã Mohammad Khatami pediu calma, nesta quinta-feira, para evitar o aumento das tensões entre os EUA e seu país em torno do programa nuclear iraniano. "Espero que eles consigam administrar a situação. É preciso paciência e compreensão e evitar sentimentalismos", afirmou Khatami no Fórum Econômico Mundial. Os governos iraniano e norte-americano entraram em rota de colisão depois de o atual presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, ter decidido, em fevereiro, retomar o programa de enriquecimento de urânio, que havia sido cancelando dois anos antes, durante o governo de Khatami. O Irã alega que precisa da energia nuclear para gerar eletricidade, mas potências ocidentais acreditam que o país esteja desenvolvendo em segredo uma bomba atômica. Em dezembro, a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou uma resolução impondo sanções sobre o comércio de materiais e tecnologia nucleares com os iranianos, tentando impedir o programa de enriquecimento de urânio que poderia levar à bomba atômica. Nesta semana, o Irã impediu que 38 inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) trabalhassem no país. Na terça-feira, o governo iraniano afirmou que mantinha a cooperação com a agência da ONU, que tem um grupo de 200 inspetores no Irã. Khatami não quis fazer comentários sobre a decisão de limitar a atuação dos 38 inspetores, que, segundo diplomatas, seriam todos ocidentais. Os EUA chamaram o Irã a negociar sob a ameaça de sanções ainda mais duras caso o chefe da AIEA, Mohamed ElBaradei, diga ao Conselho de Segurança da ONU, em um relatório previsto para 21 de fevereiro, que os iranianos não estão obedecendo às exigências da organização. Ahmadinejad descreveu a resolução da ONU como um "pedaço de papel inútil" e prometeu continuar avançando com o programa nuclear. Khatami também deu apoio às propostas do Grupo de Estudo sobre o Iraque de envolver o Irã nas negociações sobre o futuro do país vizinho. "Ao invés da confrontação, seria melhor cooperar e dialogar com o Irã e a Síria", disse o ex-presidente a repórteres após participar de um painel de discussão sobre o Iraque.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.