SIMON MAINA / AFP
SIMON MAINA / AFP

Ex-presidente mais antigo do Quênia morre aos 95 anos

Daniel arap Moi presidiu anos de repressão e turbulência econômica alimentada pela corrupção descontrolada

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2020 | 02h47

Daniel arap Moi, um ex-professor que se tornou o presidente mais antigo do Quênia e presidiu anos de repressão e turbulência econômica alimentada pela corrupção descontrolada, morreu aos 95 anos. A morte de Moi foi anunciada pelo presidente Uhuru Kenyatta em um comunicado à emissora estatal nesta terça-feira, 4.

Moi, que governou o Quênia por 24 anos, estava internado há mais de um mês. Apesar de ser chamado de ditador pela crítica, Moi teve forte apoio de muitos quenianos e foi visto como uma figura unificadora quando assumiu o poder após a morte do presidente Jomo Kenyatta, em 1978. Alguns aliados de Kenyatta, no entanto tentaram mudar a constituição para impedir Moi, então vice-presidente, de assumir automaticamente o poder após a morte de Kenyatta.

Moi ficou tão desconfiado com qualquer ameaça durante esse período incerto que fugiu de sua casa em Rift Valley quando soube da morte de Kenyatta, retornando apenas depois de receber garantias de sua segurança.

Em 1982, o governo de Moi promoveu no parlamento uma emenda constitucional que tornou o Quênia efetivamente um estado de partido único. Mais tarde naquele ano, o exército reprimiu uma tentativa de golpe traçada por membros da oposição e alguns oficiais da força aérea. Pelo menos 159 pessoas foram mortas.

O governo de Moi tornou-se mais repressivo ao lidar com a dissidência, de acordo com um relatório da Comissão de Justiça e Reconciliação da Verdade do governo que avaliou seu governo. Ativistas políticos e outros que ousaram se opor ao governo de Moi foram rotineiramente detidos e torturados, segundo o relatório, observando detenções e assassinatos ilegais, incluindo a morte de um ministro de Relações Exteriores, Robert Ouko.

"O judiciário se tornou cúmplice na perpetuação de violações, enquanto o parlamento foi transformado em um fantoche controlado pela mão pesada do executivo", afirmou o relatório. A corrupção, especialmente a alocação ilegal de terras, tornou-se institucionalizada, segundo o relatório, enquanto o poder econômico estava centralizado nas mãos de poucos.

Em 1991, Moi cedeu às demandas de um Estado multipartidário devido à pressão interna, incluindo uma manifestação em 1991, durante a qual a polícia matou mais de 20 pessoas, e a pressão externa do Ocidente. As eleições multipartidárias em 1992 e 1997 foram marcadas pela violência política e étnica que os críticos afirmaram ter sido causada pelo Estado.

Quando Moi deixou o poder em 2002, a corrupção havia deixado a economia do Quênia, a mais desenvolvida na África Oriental, com crescimento negativo. Moi costumava culpar o Ocidente pela má publicidade e pelas dificuldades econômicas que muitos quenianos tinham que suportar durante seu governo. 

Assim como seu antecessor, Kenyatta, muitos projetos do governo, prédios, notas e moedas foram nomeados em homenagem a Moi. Fartos, os quenianos votaram em uma nova constituição que foi implementada em 2010 e fizeram provisões para barrar cultos de personalidade. /AP

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