Ex-presidente Menem muda discurso e diz que filho foi assassinado

Carlos Menem Junior morreu em 1995 quando o helicóptero em que estava caiu; pai sustentava que queda tinha sido acidental 

Ariel Palacios, correspondente / Buenos Aires, O Estado de S. Paulo

23 de setembro de 2014 | 16h25

BUENOS AIRES - O ex-presidente e senador Carlos Menem declarou nesta terça-feira, 23, perante o juiz federal Carlos Villafuerte Ruzo que a morte do filho Carlos Menem Junior, no dia 15 de março de 1995, foi o resultado de um "atentado", alterando oficialmente a posição sobre a morte do filho. Nos últimos 19 anos, Menem sustentou que Carlitos havia morrido em razão das feridas ocorridas no "acidente aéreo" quando o helicóptero que pilotava caiu na estrada que liga a cidade de Zárate com Buenos Aires.

Com a declaração, Menem, 84 anos, agora alinha-se com a ex-mulher, Zulema Yoma, que desde 1996 sustentava que o filho havia sido "assassinado". Em 1995, a Justiça determinou que a queda da aeronave havia sido um "acidente" provocado por um choque com as linhas de alta tensão que atravessam a estrada, uma das mais movimentadas do país.

Na época do acidente, Carlos Junior era secretário do pai. A morte dele ocorreu em plena campanha para a reeleição presidencial de Menem.

Menem recusava-se a falar sobre o acidente nas entrevistas que concedeu. "Podem perguntar sobre tudo, menos sobre a morte de Carlitos", costumavam dizer seus assessores de imprensa aos jornalistas.

O tribunal não divulgou declarações de Menem sobre alguma hipótese sobre os autores do suposto atentado.

Zulema, que também estava presente na audiência, afirma há vários anos que o helicóptero do filho foi derrubado a tiros. Além disso, ela sustenta que após o enterro parte dos ossos de Carlitos foi trocada pelos restos de outro cadáver.

Durante anos, Zulema acusou o ex-marido de fazer um pacto de silêncio que manteria impunes os supostos mandantes da morte. Em maio, a ex-amante do traficante colombiano Pablo Escobar, Virginia Vallejo, declarou que por trás da morte do filho presidencial existiam atividades de lavagem de dinheiro. Segundo Zulema, a mudança de opinião de Menem teria ocorrido depois que ela lhe mostrou novos resultados dos peritos.

Carlos Menem afirmou ao juiz que espera os resultados de um estudo feito por peritos em conjunto com a Universidade de Tucumán e o Conselho Nacional de Investigações Científicas (Conicet). O relatório seria apresentado em outubro.

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