Ex-presidente Musharraf retorna ao Paquistão

O ex-presidente do Paquistão Pervez Musharraf retornou ao país neste domingo, após mais de quatro anos de exílio, numa tentativa de retomar sua carreira política, apesar de ser alvo de investigações judiciais e de ter recebido ameaças de morte do Taleban.

Agência Estado

24 de março de 2013 | 10h49

A viagem de Dubai para a cidade portuária de Karachi, no sul paquistanês, foi o primeiro passo de Musharraf numa estratégia de reconstruir suas imagem depois de passar anos à margem da política. O ex-homem forte do Paquistão, no entanto, foi recepcionado no aeroporto por não mais que duas mil pessoas, num indicativo de que sua popularidade caiu muito desde que foi forçado a abandonar o poder, em 2008.

Ao discursar para os simpatizantes, Musharraf afirmou em tom de desafio que desmentiu aqueles que disseram que ele jamais voltaria ao país depois de descumprir promessas anteriores. Ele disse também não se sentir intimidado por ameaças de morte feitas pelo Taleban paquistanês. "Não estou com medo. Só temo a Deus", afirmou. "Pelo bem de meu país, para onde precisar ir, eu irei."

Desde que o ex-general renunciou em meio a uma crescente onda de descontentamento, o Paquistão tem enfrentado uma difícil situação econômica, a resistência de facções islâmicas extremistas e tensões com Washington em razão de ataques de aviões não tripulados dos EUA e pela operação que matou Osama bin Laden, em maio de 2011.

Musharraf é visto como inimigo por muitos militantes islâmicos por ter se aliado aos EUA após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2011. No sábado, a divisão paquistanesa do Taleban prometeu mobilizar esquadrões da morte para "mandá-lo ao inferno" caso ele retornasse. Também neste sábado, militantes causaram a morte de 17 soldados num ataque suicida com carro-bomba a um posto militar numa região tribal do noroeste do Paquistão.

Já os simpatizantes de Musharraf, que incluem militares e membros de comunidades expatriadas do Paquistão, o consideram um forte líder cuja voz, mesmo que seja apenas no Parlamento, pode ajudar a estabilizar o país.

Musharraf também enfrenta acusações na Justiça, algumas ligadas à investigação sobre o assassinato da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, em 2007. Benazir também passou um período exilada em Dubai antes de retornar ao país. As informações são da Associated Press.

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