Ex-presidente parece imune à insatisfação geral dos chilenos

ANÁLISE: Steven Bodzin /

CS MONITOR, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2013 | 02h09

A Praça de Armas em Santiago é um museu da insatisfação. Durante um único dia recente, funcionários públicos em greve, professores em protesto e ativistas de direitos dos animais realizaram comícios, cada um deles observado por policiais nervosos. "Todos os estudos e observações mostram que o povo chileno tem um mal-estar profundo porque não se sente ouvido", diz Marcela Ríos, cientista política do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, em Santiago. E isso em tempos econômicos favoráveis. "Nós sempre nos perguntamos qual seria a reação pública se as coisas piorassem."

A ex-presidente Bachelet deixou o cargo em 2010 com um índice de aprovação de 84%. Se vencer o segundo turno da eleição, como preveem a grande maioria dos especialistas, esse amor poderá ser posto à prova. Bachelet teve alguns momentos difíceis em seu mandato de 2006 a 2010. Mas as sondagens mostram um exército de apoiadores dispostos a lhe dar uma nova chance.

As marchas de protesto têm sido constantes no governo de Sebastián Piñera, o primeiro conservador eleito presidente no Chile desde 1958. Ambientalistas opõem a barragens, grupos indígenas e torcedores de futebol entoam slogans contra a repressão policial, trabalhadores pleiteiam aumentos salariais, gays combatem a violência homofóbica e - mais do que tudo - estudantes pedem um sistema educacional com mais igualdade de oportunidades.

Com essa eleição, muitos chilenos esperam ir além dos protestos para uma mudança sistêmica. Em discursos, Bachelet prometeu dezenas de reformas sobre como o Chile gere escolas, taxa empresas e trata povos indígenas. Se ela vai cumprir essas promessas é outra história. Por enquanto, Bachelet tem ficado em grande medida imune ao senso de decepção que pesa sobre muitos ex-presidentes. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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