REUTERS/Mariana Bazo
REUTERS/Mariana Bazo

Ex-presidente peruano Kuczynski é internado por problema cardíaco

Ele passou mal no centro de detenção onde estava preso havia uma semana por envolvimento com propinas pagas pela Odebrecht no país

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2019 | 15h00

LIMA - O ex-presidente do Peru Pedro Pablo Kuczynski foi internado nesta quarta-feira, 17, em um hospital de Lima, após sofrer um problema cardíaco no centro de detenção onde estava preso havia uma semana. 

"Ele foi levado por policiais porque sofreu um tipo de descompensação, uma alteração cardíaca. Agora terá a saúde monitorada e controlada no hospital", disse o congressista Gilberto Violeta.

Ainda hoje, Alan García, também ex-presidente do Peru, cometeu suicídio quando policiais chegaram em sua residência para prendê-lo por conexões com uma investigação sobre suborno no caso relacionado à construtora brasileira Odebrecht.

Kuczynski, de 80 anos, sofre de problemas cardíacos e passará por uma avaliação médica completa para verificar seu estado de saúde.

Gilberto disse que o ex-presidente está abalado com a decisão tomada ontem pela Justiça, que negou um recurso apresentado pela defesa de Kuczynski contra a prisão de dez dias decretada por envolvimento com as propinas pagas pela Odebrecht no país.

"Que dúvida há? Basta olhar seu rosto enquanto ele ouvia a leitura dessa decisão para notar que era um problema sério e que isso se refletiu em sua saúde. Ele sofre de problema cardíaco há muito tempo, mas situações como essa alteram a pressão de um homem de 80 anos", criticou o parlamentar.

Recurso

Kuczynski pode ficar mais tempo detido se a Justiça acatar o pedido de prisão preventiva apresentado ontem pelo Ministério Público. O ex-presidente teve negado o recurso para reverter sua detenção, mas o juiz que analisou o caso libertou Gloria Kisic, ex-secretária de Kuczynski, e o motorista José Luis Bernaola.

Os três são acusados de ter lavado dinheiro de origem ilegal da Odebrecht por meio de contratos de consultoria com a Westfield Capital, empresa de Kuczynski com sede nos Estados Unidos, quando ele era ministro do ex-presidente Alejandro Toledo.

Os promotores suspeitam que as consultorias, que totalizam US$ 728 mil entre 2004 e 2007, foram contratadas para aparentar que o dinheiro usado para obter favores de Kuczynski em licitações de obras públicas realizadas no governo de Toledo era legal.

Toledo também é investigado no caso Odebrecht por ter recebido US$ 20 milhões da construtora enquanto exercia o cargo.

No recurso apresentado ontem, Kuczynski reiterou ser inocente, disse estar disposto a cooperar com as investigações e acusou os promotores de copiar os argumentos do relatório da comissão parlamentar da Lava Jato, criada pela oposição fujimorista para tentar tirá-lo do poder quando ainda ocupava a presidência do país.

"Destruíram minha reputação de 60 anos de trabalho. Me dá vergonha de ter sido presidente de um país onde chegamos nesse nível. Realmente faz meu coração chorar de ver isso na minha idade", disse Kuczynski no julgamento realizado ontem. /  EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.