REUTERS/Henry Romero
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Ex-presidente Rafael Correa diz que será candidato a vice do Equador

Se sua candidatura for validada, Correa, que vive na Bélgica e enfrenta vários processos judiciais, terá imunidade e poderá retornar a seu país para as eleições gerais

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2020 | 18h27

QUITO - O ex-presidente Rafael Correa, que está na Bélgica e enfrenta vários processos judiciais com mandados de prisão, anunciou nesta terça-feira, 18, que será candidato à vice-presidência do Equador nas eleições de fevereiro, por uma coalizão de esquerda. 

"Aceito com alegria essa nova responsabilidade, que não busquei nem mesmo desejei", disse Correa após se apresentar como candidato pela frente União pela Esperança (Unes) em uma transmissão pelo Facebook.

Ainda não se sabe, porém, se o ex-presidente (2007-2017) poderá concretizar sua candidatura. Além dos processos judiciais - nenhum com julgamento final -, terá de aguardar o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) habilitar sua candidatura ao segundo cargo político do país.

Correa acompanharia o economista Andrés Arauz, de 35 anos, um de seus ex-ministros que concorre à presidência pela Unes, coalizão que reúne diversos partidos e organizações de esquerda, além de grupos indígenas e sindicatos.

“Aceito essa responsabilidade que meus colegas me deram de participar como candidato à vice-presidência da república por esse sonho coletivo que chamamos de revolução cidadã”, declarou Correa, em alusão à forma como seu governo era conhecido.

Segundo o ex-presidente socialista, o Equador vive um dos momentos mais difíceis de sua história. “Mas eles não conseguiram destruir nossa esperança (...) Chegou a hora da União pela Esperança”, acrescentou Correa, reeleito em 2009 e 2013. Ele observou que seu objetivo é "resgatar um país das ruínas em que o pior governo da história o deixou". 

"Para me destruírem, eles não se importaram em destruir nossa terra sagrada. Mas por esse desafio, eu aceito essa candidatura”, disse o ex-governante.

'Processos judiciais ilegítimos'

O ex-presidente, que viajou à Bélgica assim que encerrou seu mandato em 2017 sem enfrentar nenhum processo até então, está na mira da justiça.

O Supremo Tribunal confirmou há um mês uma condenação de oito anos de prisão por suborno, além da perda de direitos políticos para o ex-presidente, em um processo que foi julgado à revelia e que está na última fase de cassação, portanto ainda não está decidido.

Correa, de 57 anos, também enfrenta um mandado de prisão para ser julgado pelo sequestro de um opositor equatoriano na Colômbia em 2012, crime pelo qual não pode ser processado à revelia.

Em ambos os casos, ele alega sua inocência, argumentando que é um perseguido político do governo de Lenín Moreno, ex-vice-presidente e seu ex-aliado. “Aqui estamos nós, apesar de todos os obstáculos imorais para nos impedir de participar, processos judiciais ilegítimos (...) para prejudicar Correa”, afirmou.

Ser ou não ser

O atual presidente Lenin Moreno, cujo governo termina em maio, promoveu reformas jurídicas para proibir a reeleição mais de uma vez, o que para os detratores de Correa até impossibilita sua candidatura a outros cargos.

O CNE destacou na semana passada que, embora o registro das candidaturas possam ser feitos pela internet devido à pandemia de coronavírus, os candidatos devem comparecer em algum momento perante o órgão para confirmar "de maneira expressa, indelegável e personalíssima" que aceitam a indicação.

Se sua candidatura for validada, Correa terá imunidade e poderá retornar a seu país para as eleições gerais.

O ex-líder de esquerda, aliado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do presidente venezuelano Hugo Chávez, morto em 2013, entre outros governantes latino-americanos, gozou de uma popularidade nunca antes vista no Equador, apesar de uma oposição feroz que sempre alertou para seus desvios autoritários. 

No entanto, a ruptura com Moreno e a consequente divisão da esquerda no poder podem ter desgastado seriamente sua imagem, segundo analistas. /AFP 

 

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