Ex-presidente Raúl Cubas volta ao Paraguai

O ex-presidente Paraguai Raúl Cubas retornou silenciosamente ao país do exílio no Brasil e se apresentou perante a Justiça, provocando especulações de que poderia atuar para lançar o retorno do ex-general Lino Oviedo - o que é negado por pessoas próximas ao ex-mandatário e por seus advogados.Cubas viajou para o exílio depois renunciar em março de 1999, após o assassinato do vice-presidente Luis Argaña - que, segundo acusadores, teria sido ordenado por Oviedo - e os sangrentos episódios que se seguiram ao crime, nos quais morreram sete jovens manifestantes contra o governo e contra o ex-militar.O ex-presidente, de 58 anos, estava residindo em Curitiba até que, segundo relatou hoje seu irmão, o capitão da reserva da Marinha Carlos Cubas, entrou no país na quarta-feira por Ciudad del Este e - para surpresa dos políticos opositores a seu governo e ao oviedismo - apresentou-se perante a Justiça, à qual tem de responder por dois processos.O juiz Jorge Bogarín ordenou a reclusão dele na Primeira Divisão de Infantaria, nos arredores de Assunção. O ex-chefe de Estado não deu declarações à imprensa, mas o irmão de Cubas relatou que ele "resolveu voltar porque estava cansado de viver longe de sua terra e porque toda sua família, esposa e filhas, residem em Assunção". Além disso, Cubas e o advogado defensor do ex-presidente, Osvaldo Granada, afirmaram que o retorno dele tem conotação nitidamente jurídica e não política, assegurando que o ex-governante quer responder aos processos para comprovar a inocência.Um fonte política que preferiu manter o anonimato disse que em um momento político agitado, próximo às eleições presidenciais de 2003, não se deve descartar que o retorno de Cubas possa ser atribuído a um acordo com o atual governo que pode proporcionar-lhe muitos benefícios.Por um lado, disse a fonte, Cubas poderia solucionar os problemas jurídicos e recuperar a liberdade, enquanto o testemunho judicial poderia servir de acusação contra o ex-general Oviedo - inimigo declarado do atual governo e que, apesar dos problemas judiciais, vem sendo apresentado por simpatizantes como candidato presidencial nas próximas eleições.

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