Ex-presidente servo-bósnia se declara culpada de limpeza étnica

A ex-presidente servo-bósnia, Biljana Plavsic, declarou-se, perante o Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia, culpada do crime de limpeza étnica durante a guerra da Bósnia (1992/1995), que deixou pelo menos 200 mil mortos. "Foi uma inédita manifestação de arrependimento", destacou a promotora-chefe do TPII, Carla Del Ponte. "Pela primeira vez, uma personalidade importante da ex-Iugoslávia declara-se culpada dos horrendos crimes praticados naquela região", acrescentou. Biljana, de 72 anos, era apontada como braço direito do antigo líder servo-bósnio, o psiquiatra e poeta Radovan Karadzic, também acusado de crimes de guerra e contra a humanidade pelo TPII. Karadzic está foragido. Em troca da admissão de culpa, a promotoria retirará a acusação de genocídio. Se for considerada culpada, Biljana, que está em liberdade condicional, poderá ser condenada à prisão perpétua. Não há ainda uma data para o pronunciamento da sentença. Na sessão de hoje, a ex-presidente servo-bósnia, antiga professora de biologia, foi interrogada pela promora Carla Del Ponte, que procurou valorizar a atitude da ré. "O fato de ela se declarar culpada deve ser considerado um passo importante para a reconciliação da Bósnia-Herzegovina", disse a promotora-chefe do TPII, ressaltando, no entanto, que a confissão não significará redução da pena. O TPII ouviu um grande número de testemunhas e exibiu também imagens da época do conflito, apresentando prisioneiros esquálidos, internados em campos de concentração improvisados. Karadzic e seus generais, principalmente Radko Madlic (também procurado pelo TPII), impuseram ao muçulmanos bósnios e croatas-bósnios uma política de limpeza étnica. Quem escapou da morte em campos de concentração ou nos fuzilamentos sumários abandonou os Bálcãs, refugiando-se na Europa. Acredita-se que o êxodo superou um milhão de pessoas.

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