Ex-presidente sul-coreano suicidou-se, afirma advogado

O ex-presidente da Coreia do Sul, Roh Moo-hyun - um reformista envergonhado por um escândalo de corrupção que sujou sua imagem - suicidou-se ao pular de uma montanha na manhã deste sábado, horário local, informou seu advogado. Roh governou a Coreia do Sul entre 2003 e 2008. Ele tinha 62 anos.

AE, Agencia Estado

23 de maio de 2009 | 09h10

Roh escalava uma montanha próxima ao vilarejo de Bongha, quando se jogou de um penhasco por volta das 6h40 da manhã de sábado, horário local na Coreia do Sul, disse o advogado Moon Jae-in. Ele afirmou que Roh deixou um bilhete no qual afirmava que iria se matar e explicava o motivo. "Muitas pessoas estão sofrendo por minha causa", ele escreveu, de acordo com a mídia sul-coreana.

Os médicos legistas declararam que Roh morreu por causa de um ferimento na cabeça. A informação partiu dos funcionários do Hospital Universitário de Busan.

Roh, um advogado que lutou e conseguiu vencer a pobreza, numa longa carreira até ocupar o cargo máximo da Coreia do Sul, tinha orgulho de seu histórico de honestidade, em um país com longa história de corrupção. Mas nas últimas semanas ele e sua família foram envolvidos numa armadilha de um crescente escândalo de corrupção.

O suicídio - o primeiro de um líder sul-coreano - deixou perplexo o país neste sábado. Os sul-coreanos paravam na frente das telas de televisão na principal estação ferroviária de Seul para acompanhar as notícias.

"Eu estou totalmente chocado", disse Chun Soon-im, de 63 anos, de Seul. "Eles dizem ''odeie o pecado, mas não o pecador'' e é isso que eu sinto. A investigação precisa continuar e precisamos saber qual é a verdade", comentou.

No mês passado, os promotores questionaram Roh durante 13 horas a respeito das acusações de que ele teria aceito mais de US$ 6 milhões em subornos de um empresário sul-coreano, quando era presidente - acusações que o deixaram profundamente envergonhado "Sinto muito por ter desapontado vocês. Não tenho coragem de aparecer mais em público", disse um Roh emocionado em 30 de abril, antes de dar o depoimento aos promotores.

Roh negou as acusações no depoimento, disse o porta-voz da promotoria, Cho Eun-sok.

Roh reconheceu que o empresário Park Yeon-cha, dono de uma fábrica de calçados, deu US$ 1 milhão à sua esposa, mas sugeriu que isso não foi um suborno. Ele também reconheceu que Park deu outros US$ 5 milhões a outro parente seu, mas afirmou achar que o dinheiro era um investimento. Os promotores suspeitam que os US$ 6 milhões foram parar nos bolsos de Roh.

Vários dos ex-assessores de Roh foram investigados pelas suspeitas de terem recebido subornos de Park, que foi indiciado em dezembro sob acusações de evasão fiscal. O irmão mais velho de Roh foi sentenciado na semana passada a quatro anos de prisão em outro escândalo de corrupção.

O ministro da Justiça da Coreia do Sul, Kim Kyung-han, expressou neste sábado "surpresa e luto" pela morte de Roh e declarou que a investigação está suspensa. Partidários de Roh afirmavam que as acusações contra o ex-presidente tinham motivações políticas. No espectro político sul-coreano, Roh era considerado um progressista liberal.

O presidente da Coreia do Sul, o conservador Lee Myung-bak, disse que a morte "triste e trágica" de Roh foi algo "realmente difícil de acreditar", afirmou o porta-voz presidencial Lee Dong-Kwan. Segundo os relatos, Roh saiu de casa na manhã deste sábado, logo após a aurora, para caminhar em uma montanha perto da cidade de Gimhae, onde vive, 450 quilômetros ao sul de Seul. Ele estava acompanhado apenas pelo guarda-costas.

Quando estava na metade da escalada, Roh se jogou de um penhasco com 30 metros de altura conhecido como "Rocha da Coruja", informou a agência de notícias Yonhap. A polícia sul-coreana disse que ainda investiga os detalhes da morte do ex-presidente.

"O que me foi deixado, para o resto da minha vida, é ser apenas uma carga para os outros", Roh escreveu no bilhete de suicídio, de acordo com reportagens da mídia local. "Não fiquem muito tristes. Não são vida e morte parte da natureza? Não sintam pena. Não culpem ninguém. É o destino", diz o bilhete. Segundo as matérias, ele pediu para que seu corpo fosse cremado e um pequeno marco erguido perto da sua casa. As informações são da Associated Press.

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