Ex-presidentes do Peru pedem a Toledo que ganhe menos

Os ex-presidentes Alan García e Valentín Paniagua pediram ao atual mandatário, Alejandro Toledo, que imite seu colega argentino Néstor Kirchner e reduza seus vencimentos, enquanto prossegue a greve dos professores em pleno estado de emergência. A greve dos 280.000 professores da rede pública, que já dura 25 dias, tem deixado sem aulas 7 milhões de estudantes em todo o Peru. Alan García, líder do Partido Aprista Peruano, disse também que é hora de atender às demandas do magistério, retirar das ruas as forças armadas, levantar o estado de emergência e iniciar uma revolução salarial no aparelho estatal. Acrescentou que Toledo, imitando o gesto de Kirchner, deve reduzir sua remuneração para recuperar credibilidade. Na Argentina, Kirchner prorrogou um decreto que estabelece que o presidente receberá o equivalente US$ 1.034 por mês; além disso, ordenou que seja este o teto salarial dos ministros e de outros funcionários governamentais. Toledo recebe entre US$ 12.000 e US$ 18.000 mensais. "Sejam US$ 12.000 ou US$ 18.000, é muito", disse García, sugerindo que Toledo cortasse a quantia pela metade. Por sua vez, o ex-presidente Valentín Paniagua, líder do Partido Ação Popular, pediu a Toledo e a todos os membros de seu governo que diminuam seus salários como um gesto político que os peruanos valorizariam em meio à crise que o país enfrenta. Enquanto isso, o bispo de Chimbote, Luis Bambarén, que age como mediador do impasse entre os professores e o governo, pediu aos docentes que suspendam a greve. O líder do sindicato dos professores (Sutep), Nilver López, respondeu que as negociações entre seu grupo e o governo avançaram e que no sábado o Sutep avaliará se a greve deve ou não prosseguir.

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