EFE/David Fernández
EFE/David Fernández

Ex-presidentes querem levar pressão contra Venezuela à ONU

Liderado pelo espanhol Felipe González, plano inclui ação na ONU e saída interna

Márcio Resende, Especial para o Estado , O Estado de S.Paulo

12 Maio 2017 | 19h20

BUENOS AIRES - Ex-presidentes de Brasil, Chile e Uruguai avaliaram um novo plano, liderado pelo espanhol Felipe González, para superar a grave crise na Venezuela. O plano prevê uma pressão internacional contra Nicolás Maduro na ONU, uma tentativa de incluir Cuba como um mediador válido para a Venezuela e uma espécie de anistia para o chavismo se aceitar convocar eleições. 

“Avaliamos levar a situação venezuelana ao secretário-geral da ONU (António Guterrez)”, indicou ao Estado o ex-presidente chileno Ricardo Lagos. “Mas uma solução tem mesmo de vir dos venezuelanos.”

Convencer Cuba é um desafio. “Queremos incluir Cuba, mas a tensão com os EUA não ajuda”, acrescentou uma fonte do seminário entre ex-presidentes, empresários e acadêmicos realizado em Buenos Aires.

“Felipe González tem um programa para a Venezuela”, confirmou ao Estado o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. “Implica em os venezuelanos entenderem que é preciso botar um ponto final. Ou seja: que a oposição aceite que não vai haver vingança e o governo aceite que terá eleição”, explicou FHC. “Agora, como construir isso é que é o problema.”

A ONU será um novo âmbito de pressão internacional contra o regime de Nicolás Maduro, segundo os líderes. “Os que estão mais ligados à questão vão levar o assunto a todas as partes. Vão levar ao secretário-geral da ONU, como já levaram para a OEA (Organização dos Estados Americanos), e vão levar para a Unasul”, disse FHC que, embora seja amigo de António Guterres, não deverá fazer essa ponte.

"Não se pode imaginar uma intervenção na Venezuela. Então, o que se tem a fazer é criar as condições internas. Parece que eles estão reconstruindo uma unidade de oposição. É preciso forçar o governo a ceder no sentido de que o melhor caminho é uma eleição", apontou.

Juan Carlos Gutiérrez, advogado do preso político Leopoldo López e de outros 17 presos, veio a Buenos Aires a convite do ex-presidente do governo espanhol Felipe González. Fez uma exposição reservada sobre a situação interna da Venezuela aos ex-presidentes.

"Sim, eles têm um plano, mas prefiro que sejam eles a anunciá-lo", explicou ao Estado o advogado Gutiérrez. "Todos os planos para resgatar a democracia na Venezuela de forma pacífica são bem-vindos", celebrou.

Gutiérrez contou que o seu cliente Leopoldo López continua sem poder receber visitas. "Não deixam a mulher Lilian Tintori o visitar. Nem mesmo eu posso ver o meu cliente. Não permitem. Não dão explicações. Totalmente ilegal. Não há nenhum tipo de informação. É muito grave", denunciou.

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