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Ex-preso político critica declarações de Lula

O microbiologista Pedro Ynterian, que foi preso em 1961 pelo regime de Fidel Castro em Cuba, criticou a declaração do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que comparou presos políticos cubanos a criminosos comuns. Em carta aberta divulgada ontem com o título "Eu sou um bandido!", Ynterian diz que é um ex-preso político e considera "um insulto" comparar a condição dos criminosos que lotam as prisões paulistas com a de presos políticos cubanos.

José Maria Tomazela, O Estadao de S.Paulo

13 de março de 2010 | 00h00

Empresário naturalizado brasileiro, Ynterian está no País há mais de 35 anos e sempre evitou falar de seu passado de lutas pela democracia em Cuba, mas, depois da declaração de Lula, disse que se ficasse calado estaria "traindo a memória" dos dissidentes cubanos que morreram lutando contra a ditadura castrista.

Durante sua juventude, Ynterian passou algumas semanas em uma prisão comandada por Ernesto "Che" Guevara, e viu vários companheiros estudantes, muitos apenas garotos, serem mortos. Segundo ele, Lula sabe o que acontece em Cuba, mas insiste em fazer comentários positivos sobre Fidel para agradar à esquerda internacional. "Ele quer ficar bem com a esquerda e a direita, mas acaba dando um tiro no pé." Para ele, os dissidentes cubanos em greve de fome são mártires. "Eles passaram pelas piores torturas e sobreviveram, mas agora querem dar um recado ao mundo que, se ninguém fizer nada, aquilo não vai mudar."

Ynterian considera-se "humilhado" pela declaração de Lula, que o condenou sem o conhecer. "Lula não vai reconhecer que errou grosseiramente, mas acho que vai se cuidar mais antes de falar no futuro. Ele acabou prestando um desfavor aos Castros, pois a repercussão mundial favoreceu a causa dos dissidentes.''

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