Ex-presos políticos cubanos denunciam situação degradante em presídios

Segundo prisioneiros libertados, algumas prisões têm até 40 prisioneiros em celas minúsculas

Agência Estado e Associated Press

15 de julho de 2010 | 15h55

MADRI - Alguns dos ex-prisioneiros políticos cubanos, libertados nesta semana e enviados à Espanha, afirmaram nesta quinta-feira, 15, em entrevista à imprensa, que os presídios de Cuba estão em situação degradante.

 

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"As condições de saúde e higiene não são terríveis. São mais do que terríveis", afirmou o dissidente Julio Cesar Galvez. "Nós tivemos de conviver com ratos, baratas e com excrementos", relatou. Galvez, um jornalista de 66 anos e condenado a 15 anos de prisão disse também que "havia epidemias de dengue e tuberculose". Ele afirmou que, na prisão de Villa Clara, havia mais de 1.500 detentos com até 40 prisioneiros em celas de três metros quadrados.

 

Galvez é um dos 11 homens libertados nesta semana, que estão entre os 52 que serão soltos pelo governo cubano. O grupo foi detido durante uma ação em 2003 contra opositores ao regime.

 

Normando Hernandez, 40 anos, outro jornalista que foi libertado, disse que os prisioneiros ficavam tão desesperados que se feriam. "Os prisioneiros estão cansados de exigir seus direitos", disse ele. "Essas pessoas perderem a esperança, o desejo de viver e acabavam provocando ferimentos em si mesmos e tentando tirar suas próprias vidas."

 

Não é possível verificar de forma independente as afirmações dos prisioneiros sobre as condições enfrentadas. Cuba afirma que suas prisões superam os padrões internacionais e que relatos de condições horríveis nesses locais são criadas ou exageradas pelos inimigos do país.

 

Os prisioneiros libertados e suas famílias chegaram em grupos separados a partir de terça-feira. A libertação aconteceu após conversações entre o governo cubano, a Igreja Católica cubana e o Ministério de Relações Exteriores da Espanha. Cerca de 20 prisioneiros pediram para ir para a Espanha.

 

Cuba disse que vai libertar todos os 52 detidos no prazo de três meses. O governo de Cuba afirma que nenhum deles é um prisioneiro político. A posição oficial é de que eles são mercenários pagos pelos EUA e apoiados pelos exilados anticastristas em Miami, cujo único objetivo é desacreditar o governo cubano. Muitos dos sites para os quais os jornalistas trabalharam são mantidos por exilados fora de Cuba.

 

Vida nova

 

Na Espanha, os prisioneiros recebem cuidados de três grupos sociais e foram alojados num hotel modesto em Madri, que costuma abrigar principalmente imigrantes que esperam a decisão sobre seus destinos e status final. "Nós estamos num limbo legal", disse Galvez, acrescentando que Cuba deixou claro que eles precisarão de permissão para voltar ao país. "Se não somos livres, somos refugiados".

 

A Espanha disse que eles receberão status de imigrantes com permissão para residir e trabalhar no país, o que vai permitir que eles viagem livremente. Nesta quinta-feira, os cubanos disseram que receberam a informação de que podem pedir asilo político.

 

A embaixada dos EUA em Madri negou-se a comentar os casos individualmente, mas disse que qualquer pessoa na Espanha é bem-vinda para pedir um visto para entrar em território norte-americano. EUA, Espanha e Chile ofereceram-se para receber os dissidentes, mas os cubanos disseram que a única escolha que tiveram foi ir para a Espanha ou permanecer na prisão.

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