Ex-prisioneiro iraquiano diz que sua honra foi esmagada

Haider Sabbar Abed aponta para a foto de um prisioneiro nu, com um capuz e as mãos atrás da cabeça. "Este sou eu", identifica. Abed foi um dos sete prisioneiros iraquianos que aparecem em fotos em posições humilhantes. As imagens estão no centro de uma tempestade sobre abusos cometidos por guardas dos EUA na prisão Abu Ghraib, de Bagdá. As denúncias de abuso criaram revolta no mundo árabe, irritou o Congresso dos EUA e fez o presidente George W. Bush prometer uma investigação e a eventual punição dos culpados. Mas Abed, 36 anos - olhando para as fotos mostradas em todo o mundo - disse hoje que uma investigação não servirá de nada para ele. "Vai restaurar minha honra? Minha dignidade foi esmagada", afirmou ele à Associated Press. "Bush disse que (os guardas) serão punidos, mas quem garante? Seriamente, você acredita que eles serão?" Na fotos primeiro mostradas pelo Washington Post e a revista New Yorker, prisioneiros são mostrados nus, com guardas ridicularizando-os e forçando-os a ficar em posições humilhantes. Os presos têm as cabeças cobertas com capuz, mas Abed se reconheceu nas fotos por tatuagens que tem no corpo. "Minha mente está afogada com essas memórias. Toda pose e posição", afirmou. Abed diz ter sido preso porque estava de carona num carro que foi parado pelos soldados americanos. O motorista, segundo ele, não tinha documentos. Ambos acabaram detidos.

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