Juan Barreto / AFP
Juan Barreto / AFP

Ex-procuradora chavista vem ao Brasil e diz que revelará provas contra Maduro

Luisa Ortega se reunirá nesta quarta-feira em Brasília com membros do MP de países do Mercosul e promete comprovar ligação do presidente venezuelano com casos de corrupção

O Estado de S.Paulo

22 Agosto 2017 | 21h49

CARACAS - A chavista dissidente Luisa Ortega Díaz, ex-procuradora-geral da Venezuela, deixou nesta terça-feira a Colômbia rumo ao Brasil. Ela deve participar nesta quarta-feira, em Brasília, de um encontro de procuradores-gerais de países do Mercosul, e promete apresentar provas que vinculam o presidente Nicolás Maduro e seu entorno a casos de corrupção, entre eles o da construtora Odebrecht. 

Ortega passou nesta terça-feira pelo controle migratório da Colômbia após o presidente Juan Manuel Santos dizer que ela estava sob “sua proteção e poderia requerer asilo se quisesse”. Apesar da promessa, especulava-se na imprensa colombiana que o destino final dela poderiam ser os Estados Unidos. 

Em comunicado enviado ao site antichavista La Patilla, Ortega prometeu revelar em Brasília provas de corrupção que incriminam Maduro e seus colaboradores mais próximos. “Ratificarei minha denúncia sobre a ruptura constitucional na Venezuela”, disse Ortega. “Reitero meu compromisso com a paz e a volta das liberdades usurpadas pela ditadura. Não abandonem a Venezuela.”

Em uma entrevista coletiva em Caracas, Maduro disse, sem oferecer provas, que Ortega fingiu por anos ser chavista enquanto colaborava com o governo americano. Ele prometeu solicitar à Interpol a captura de Ortega e de seu marido, o deputado chavista dissidente Germán Ferrer. “A Venezuela vai solicitar à Interpol um código vermelho para essas pessoas envolvidas em crimes graves”, destacou Maduro em entrevista coletiva. É improvável que o pedido seja levado a sério pela Interpol.

Maduro também pediu nesta quarta-feira ao papa Francisco ajuda para um diálogo com a oposição e para impedir que se concretize a advertência do presidente americano, Donald Trump, de que poderia intervir militarmente na Venezuela.

“Que o papa nos ajude no diálogo respeitoso. Na verdade, que o papa nos ajude a impedir que Trump lance suas tropas e invada a Venezuela. Peço ao papa ajuda contra a ameaça militar dos Estados Unidos”, disse.

Ortega foi destituída do cargo no dia 5 de agosto, acusada de ter cometido “atos imorais” pela Assembleia Nacional Constituinte – apontada pela oposição e pela comunidade internacional como um artifício de Maduro para se perpetuar no poder. Antes aliada do chavismo, a ex-procuradora se tornou uma das principais críticas de Maduro durante a onda de protestos contra o governo e a convocação da Assembleia. O marido de Ortega é alvo de uma ordem de captura após ter sido acusado pela Constituinte e pelo atual procurador-geral, Tarek William Saab, de ser parte de um esquema de extorsão dentro do Ministério Público. 

Apelo

Nicolás Maduro afirmou nesta terça-feira que gostaria de “conversar” com Donald Trump e enviaria uma carta ao líder dos EUA pedindo diálogo. O venezuelano afirmou que, “lamentavelmente”, as relações entre os dois países estão “em seu pior momento”, mas que pretende iniciar um diálogo para “poupar tensões”. 

O secretário de Estado americano, Rex Tillerson, já alertou que Trump não pretende aceitar qualquer conversa com Maduro enquanto a democracia não for restabelecida na Venezuela. Sob a atual liderança da Casa Branca, o líder venezuelano foi incluído em um rol de autoridades do país sul-americano proibidas de viajar ao território americano e de fazer negócios com cidadãos ou empresas dos EUA.

Censura

A presidente da Assembleia Constituinte venezuelana, a chavista Delcy Rodríguez, anunciou nesta terça-feira que as novas leis do país estabelecerão mais vigilância e punição sobre meios de comunicação e redes sociais.

Sem dar maiores detalhes, Delcy citou um tuíte de um partido da oposição como exemplo de “discurso de ódio” e afirmou que a punição para esses “delitos” será severa. A oposição venezuelana teme que tanto a Constituinte quanto uma “comissão da verdade” criada pelo chavismo sejam bases para uma “caça às bruxas”. / EFE e AFP

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