Ex-refém das Farc chega a Bogotá e revê o filho nascido no cativeiro

Ex-refém das Farc chega a Bogotá e revê o filho nascido no cativeiro

Ruth Costas, BOGOTÁ, O Estadao de S.Paulo

14 de janeiro de 2008 | 00h00

Pouco depois de deixar Caracas e chegar a Bogotá, a ex-refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) Clara Rojas reencontrou-se ontem com Emmanuel, o filho de 3 anos que nasceu no cativeiro e do qual se separou oito meses depois do parto. Assessora da ex-candidata à presidência da Colômbia Ingrid Betancourt, Clara foi entregue quinta-feira pelas Farc ao governo venezuelano após cinco anos de seqüestro, junto com a ex-senadora Consuelo González de Perdomo, seqüestrada em 2001. Emmanuel é filho de Clara com um guerrilheiro, com o qual a ex-refém teve um relacionamento consensual. "(Clara e Emmanuel) já se encontraram. Foi um momento muito emocionante", declarou uma fonte do governo colombiano à agência France Presse. De acordo com essa mesma fonte, a reunião ocorreu no local onde o menino permanece sob a custódia do governo, no noroeste de Bogotá, imediatamente depois de a ex-refém ter deixado o aeroporto.Ainda segundo o funcionário, o reencontro estava marcado inicialmente para a sede principal do Instituto Colombiano de Bem-Estar Familiar (ICBF), mas teve de ser mudado por causa da presença de centenas de jornalistas no local."Sinto-me comovida por voltar a meu país. É como renascer", disse a ex-refém ao chegar à Colômbia e ser recebida no aeroporto pelo ministro da Defesa Juan Manuel Santos e pelo alto comissário de paz Luis Carlos Restrepo. Clara agradeceu ao presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e da Colômbia, Álvaro Uribe, por terem conseguido sua libertação.Até dezembro, as Farc diziam estar com o filho de Clara. No dia 31 Uribe revelou a suspeita de que um menino que estava sob a guarda do ICBF desde 2005 fosse Emmanuel - o que a própria guerrilha confirmou depois. Os rebeldes o haviam entregado a uma família pobre no interior da Colômbia para que recebesse tratamento médico.Segundo autoridades da ICBF, Clara não terá problemas para retomar a guarda da criança. Emmanuel será submetido a uma cirurgia para corrigir um defeito no braço, quebrado no parto. Uma funcionária do instituto disse à emissora de TV CNN que entregou ontem a Clara um desenho feito pelo menino. A guerrilha anunciou no dia 18 que entregaria Clara e Consuelo para Chávez como um ato de desagravo após Uribe ter tentado afastar o venezuelano das negociações com a guerrilha. Enquanto Clara era recebida por parentes e amigos em Bogotá, Consuelo participava do programa de TV Alô, Presidente!, apresentado por Chávez. Ela deve embarcar hoje para a Colômbia, onde entregará as provas de vida de outros oito reféns que integram o grupo de 44 cativos que as Farc pretendem trocar por cerca de 500 guerrilheiros presos.Ontem, Chávez voltou a pedir em seu programa que o governo colombiano passe a considerar a guerrilha um "movimento insurgente", e não um "grupo terrorista" para facilitar as negociações de paz. "O objetivo é humanizar a guerra", afirmou. "O que proponho é que a guerra na Colômbia seja regulada pela Convenção de Genebra (que estabelece o que é legítimo ou não durante conflitos armados), porque aí as Farc também não poderiam se utilizar do seqüestro. É preciso dar passos audazes." O governo colombiano recusa-se a aceitar a proposta e lembra a série de violações de direitos humanos a associação das Farc com o tráfico.Durante o programa, Consuelo sugeriu que o presidente venezuelano pedisse à guerrilha que abandonassem a prática do seqüestro. "Eles são receptivos às suas sugestões", disse ela. "Se em alguma oportunidade o senhor puder falar com os porta-vozes da Farc, faça-os entender que em uma luta revolucionária não podem cometer atos que atentam contra a dignidade humana, como o seqüestro."

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