Ex-refém das Farc é nomeado ministro na Colômbia

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, nomeou nesta segunda-feira Fernando Araújo Perdomo como novo ministro de Relações Exteriores do país. O anúncio da nomeação ocorreu horas depois da renúncia da titular da pasta, María Consuelo Araújo (que não tem parentesco com o novo ministro), em meio a denúncias de que seu irmão e seu pai teriam ligações com grupos paramilitares de extrema direita.Em janeiro, Fernando Araújo, que é ex-ministro de Desenvolvimento da Colômbia, ganhou as manchetes ao conseguir escapar das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), principal grupo guerrilheiro do país, que o mantinha em cativeiro havia mais de seis anos.Ao anunciar a nomeação, Uribe afirmou que o novo ministro sofreu "na própria carne a tragédia nacional" que o governo está empenhado em superar.CredenciaisSegundo o correspondente da BBC na Colômbia, Jeremy McDermott, as credenciais de Fernando Araújo como vítima do conflito civil do país poderão ajudar a reafirmar aos aliados da Colômbia que o governo está comprometido em acabar com o conflito, apesar da crise recente.Fernando Araújo foi ministro de Desenvolvimento no início do governo de Andrés Pastrana (1998-2002). Em dezembro de 2000, ele foi capturado pelas Farc em Cartagena, sua cidade natal. Ele era um dos 59 reféns de alto escalão mantidos pelo grupo. No último dia 7 de janeiro, Fernando Araújo escapou durante uma operação militar.EscândaloA renúncia de María Consuelo Araújo, que exerceu o cargo por apenas seis meses, foi vista como um fracasso para o presidente Uribe, em meio a um escândalo crescente por supostos vínculos entre seus aliados no poder legislativo e grupos paramilitares de extrema direita."A certeza da inocência do meu pai e do meu irmão me obriga a sair para ter a liberdade de estar ao lado deles e apoiá-los como filha e como irmã", disse a ex-ministra, lendo a carta de renúncia, durante uma entrevista coletiva convocada de última hora.Seu irmão, o senador Álvaro Araújo, foi preso na quinta-feira - junto com outros sete parlamentares - depois de ser acusado de ligações com o grupo Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), que mantém negociações com o governo como parte do processo de paz no país.As prisões fazem parte de uma campanha da Corte Suprema de Justiça contra políticos ligados aos paramilitares. O pai da ex-chanceler, Álvaro Araújo Noguera, é investigado pela mesma razão. Outros aliados de Uribe no Congresso já foram acusados de vínculos com esses grupos, em um escândalo que a imprensa colombiana já chama de "parapolítica".Os grupos armados de extrema direita são acusados de tráfico de drogas e massacres. O presidente colombiano fez do desarmamento dos grupos paramilitares uma das prioridades de seu governo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.