Ex-refém das Farc pede que colombianos perdoem guerrilheiros

Maurice Armitage, atual prefeito de Cali, afirmou que é preciso 'ter a palavra perdão na ponta da lingua' para construir a paz

O Estado de S. Paulo

22 Junho 2016 | 13h17

BOGOTÁ - Maurice Armitage, atual prefeito de Cali, na Colômbia, que passou quase dois meses sob cárcere das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em 2002, pediu nesta quarta-feira, 22, após o anúncio do cessar-fogo bilateral entre o governo e a guerrilha, que os colombianos estejam predispostos a perdoar os rebeldes.

"Temos que construir a paz e a única forma de fazê-lo é tendo na ponta da língua a palavra 'perdão'", disse Armitage à emissora Blu Radio. Para ele, "é papel dos colombianos alcançar a reconciliação" entre os cidadãos e os ex-combatentes "que não tiveram outra opção".

"Sempre acreditei que nossa sociedade tem muita responsabilidade porque, de alguma forma, fizemos com que alguns jovens fossem conduzidos à guerrilha porque não tiveram outra opção", disse o prefeito, em uma declaração que causou polêmica no país.

Armitage disse acreditar que 70% dos guerrilheiros se envolveram com as Farc porque não tiveram uma outra alternativa. "A essas pessoas temo que pedir perdão, mas isso não quer dizer que temos que nos desculpar com aqueles que colocaram bombas no Club El Nogal", disse o prefeito, se referindo a um atentado cometido pelo grupo em 2003, em Bogotá, no qual 36 pessoas morreram e 170 ficaram feridas. / EFE

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