Gordon Welters/The New York Times
Gordon Welters/The New York Times

Ex-refugiados se tornam voluntários em estação de trem em Viena

Trem da Esperança oferece roupas, alimentos e remédios aos imigrantes, além de auxiliá-los sobre políticas de asilo e pessoas desaparecidas

O Estado de S. Paulo

25 Setembro 2015 | 10h05

VIENA - Na principal estação de trem de Viena, a estudante síria de psicologia Ragad al-Rachid se dedica a ajudar diariamente centenas de pessoas a se ajustarem em suas novas vidas no país que adotaram.

Ela fornece informações aos imigrantes, indica o caminho do local onde eles devem se registrar e ensina como comprar passagens para Alemanha e outros países. Normalmente ela apenas senta ao lado dos refugiados e escuta suas histórias e experiências.

Ragad é uma das poucas muçulmanas que fala árabe entre os mais de 2 mil voluntários que auxiliam os imigrantes. Ela diz esta é a primeira vez desde que chegou em Viena que se viu entre austríacos que se parecem e pensam como ela.

Em todo o continente europeu, muçulmanos passam por vários níveis de aceitação e os jovens, em particular, têm procurado formas de se ambientar. O conselho de Ragad para os refugiados é que eles se dirijam para a Alemanha. “Eu me sinto estranha aqui às vezes, talvez por causa do meu lenço”, disse. “As pessoas estão sempre olhando para mim.”

Nos últimos três dias, o Ministério do Interior da Áustria registrou um número recorde de pedidos de asilo: cerca de 600 por dia. No mesmo período do ano passado o número não passava de 150.

Conhecido como Trem da Esperança, o grupo de volutários começou com oito jovens que ajudavam com algumas caixas de roupas e de remédios. Hoje, eles contam com uma clínica com dois leitos, kits de primeiros socorros e de higiene, além de seis médicos e quatro enfermeiras.

O local ainda oferece uma cozinha, uma sala de jantar improvisada, vários banheiros e uma área de tendas onde os refugiados podem pegar roupas que foram doadas.

Também há uma divisão especial para pessoas desaparecidas e conselheiros que auxiliam os imigrantes sobre políticas de asilo. Alimentos são distribuídos gratuitamente e estão disponíveis em vários pontos.

O Trem da Esperança lista todos os materiais que precisam em sua página oficial no Facebook, que conta com mais de 40 mil pessoas, e no Twitter, onde têm 5.500 seguidores. /THE NEW YORK TIMES

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