AP Photo/Doug Mills, File
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Morre Janet Reno, primeira secretária de Justiça americana

A ex-procuradora exibia inclinação independente e uma maneira brusca que chegavam a incomodar a Casa Branca

O Estado de S. Paulo

07 de novembro de 2016 | 17h48

WASHINGTON - A primeira secretária de Justiça dos EUA Janet Reno morreu na madrugada desta segunda-feira, 7, aos 78 anos em decorrência do mal de Parkinson, doença com a qual foi diagnosticada há 20 anos. 

Reno assumiu entre 1993 e 2001 durante o mandato de Bill Clinton e tornou-se a pessoa que passou mais tempo no cargo no século 20.

A advogada enfrentou casos importantes de terrorismo como o de “Unabomber”, como é conhecido o terrorista Ted Kaczynski, e o do massacre de Oklahoma de 1995, pelo qual foram condenados Timothy Mcveigh e Terry Nichols.

Também sob sua atuação, foi julgado o caso de Omar Abdel Rahman, acusado pelo atentado de 1993 ao World Trade Center de Nova York.

Entre os assuntos mais controversos tratados por ela se sobressai o massacre do rancho Waco, no Texas. Em 1993, com poucas semanas na função, ela autorizou a invasão do complexo que abrigava o culto do Ramo Davidiano. A operação do FBI levou à morte cerca de 80 pessoas, incluindo muitas crianças.

Agentes federais já haviam tentado aplicar um mandado contra o líder do culto, David Koresh, que dizia ser o messias, por armazenar armas. Quatro agentes e seis membros do culto morreram em um tiroteio subsequente, o que provocou um impasse de 51 dias.

Diante do entrave, Janet deu o sinal verde para a invasão depois de ouvir relatos de abusos infantis no complexo. A operação contra os fanáticos fortemente armados terminou em uma batalha infernal no local. "Tomei a decisão. Sou responsável. Eu assumo", disse ela mais tarde, com expressão austera, em uma coletiva de imprensa.  

Outro caso polêmico lidado por Reno foi o do menino cubano Elián González. Em 2000, ela  autorizou agentes federais a tirarem o menino  de 6 anos, que sobreviveu a um naufrágio, de seus parentes em Miami e entregá-lo ao pai, em Cuba. 

A ex-procuradora de Miami exibia uma inclinação independente e uma maneira brusca que incomodavam a Casa Branca com frequência. Ela foi criticada pela  própria Casa Branca por   não saber trabalhar em equipe e por convocar procuradores especiais demais para investigar casos, incluindo o Whitewater, que envolveu as finanças do presidente e da primeira-dama e hoje presidenciável Hillary Clinton. Ela dizia que  tomava decisões com base nos indícios e nas leis. / REUTERS e EFE 

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