EFE/EPA/KEVIN DIETSCH
EFE/EPA/KEVIN DIETSCH

Ex-secretários de Defesa dos EUA dizem que eleição acabou e defendem transição pacífica

Grupo formado por dez ex-secretários - de governos democratas e republicanos - publicaram artigo defendendo a não participação das Forças Armadas na tentativa de Donald Trump de reverter derrota nas urnas

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2021 | 11h01

WASHINGTON — Dez ex-secretários de Defesa dos EUA, de governos democratas e republicanos, defenderam, em artigo publicado neste domingo pelo Washington Post, que as Forças Armadas não devem participar da cruzada mantida por Donald Trump para reverter a derrota nas urnas em novembro. Mais que isso: são categóricos ao afirmar que "o momento de questionar os resultados já passou".

"Nossas eleições ocorreram. Recontagens e auditorias foram realizadas. Questionamentos apropriados foram analisados pelos tribunais. Governadores certificaram os resultados. E o Colégio Eleitoral já votou", afirma o texto.

O grupo inclui nomes como Dick Cheney, ex-vice-presidente, Donald Rumsfeld, que ocupou a pasta nos governos de George W. Bush e de Jimmy Carter, além de dois secretários que comandaram o Pentágono durante o governo Trump: James Mattis e Mark Esper. No texto, eles deixam clara a importância de uma transferência de poder pacífica na história do país.

"Elas (transferências de poder) ocorrem por vezes em tempos de incertezas sobre a política de segurança nacional dos EUA e sua postura no mundo. Podem ser um momento quando a nação está vulnerável a ações de adversários buscando tirar vantagem da situação", escrevem os secretários.

Nas últimas semanas, Trump promoveu mudanças na estrutura do Pentágono, colocando aliados em posições cruciais e sugerindo que poderia incluir os militares em sua jornada para tentar anular os resultados da eleição de novembro. Isso, para os secretários, poderia jogar a nação em um "território perigoso e fora da lei".

"Oficiais civis e militares que realizarem tais medidas (interferência eleitoral) podem ser punidos, incluindo de forma criminal, pelas graves consequências de suas ações em nossa república", afirma o texto.

Nessa linha, fazem um apelo ao Departamento de Defesa para que evite ações que possam prejudicar a transição para um novo governo.

"Essa ação final diz respeito à manutenção das mais altas tradições e profissionalismo das Forças Armadas dos EUA, e a história de transição democrática em nosso grande país."

Em agosto, o chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, Mark Milley, declarou ao Congresso que os militares americanos não se envolveriam na eleição ou em eventuais disputas relacionadas ao resultado.

"A Constituição e as leis dos EUA e dos estados estabelecem procedimentos para a realização das eleições e para resolver disputas posteriores. Não vejo os militares dos EUA como parte desse processo", declarou, em carta, à Comissão de Serviços Armados da Câmara. Em novembro, reforçou o caráter apartidário da instituição.

"Somos únicos entre os militares. Não fazemos juramento a um rei ou rainha, a um tirano ou a um ditador. Não fazemos juramento a um indivíduo. Não fazemos juramento a um país, a uma tribo ou religião. Fazemos um juramento à Constituição", disse Milley.

A Casa Branca e o Departamento de Defesa não se pronunciaram./ NYT e AFP

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