Ex-senadora busca mostrar humildade para se reinventar

Análise: Lúcia Guimarães

O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2015 | 02h01

AA candidata considerada mais inevitável da eleição de 2016 chega num campo minado pelo passado recente e distante. Dona de intelecto e disciplina formidáveis, Hillary Clinton sabe muito bem que o atalho mais curto para o fiasco da campanha de 2008, em que foi humilhada pelo inexperiente Barack Obama, seria se apresentar como a ungida do Partido Democrata. Mesmo sem, até o momento, encarar um desafio viável dentro de seu partido, a ex-secretária de Estado orquestrou o lançamento de sua campanha com elementos de humildade que só alguém ciente de seu poder de fogo pode demonstrar.

Seguindo o exemplo de Barack Obama em suas duas campanhas, ela privilegiou a rede social, lançando um vídeo de 2 minutos e 18 segundos sem substância política alguma e no qual só aparece depois de 92 segundos, inserida num elenco multirracial e multicultural de americanos de classe média lutando por uma vida melhor. Esnobou toda a imprensa política, que passou horas, no domingo, especulando sobre o vídeo e montou guarda na frente do quartel general da campanha, no Brooklyn, em Nova York, onde a candidata aparentemente não colocou os pés.

Os próximos compromissos de Hillary Clinton, esta semana, serão nos estados de Iowa e New Hampshire, decisivos no início das primárias eleitorais, e onde ela vai tentar reparar o erro de 2008, de chegar com comitiva numerosa a ares de herdeira. Vai conversar com pequenos grupos.

Pode uma mulher de 67 anos, que vive em público há décadas, se reinventar? E o eleitor acredita num segundo ato? É importante lembrar quem não se declarou candidata, numa decisão de peso: Elizabeth Warren, senadora de Massachusetts e principal defensora do consumidor e da classe média.

A desigualdade social é um tema que deve dominar a candidatura de Hillary, reinventada ou não.

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