Ex-serial-killer opina sobre atirador de Washington

Uma das indicações da falta de pistas sobre o franco-atirador que há três semanas aterroriza a região metropolitana de Washington e adjacências é a entrada, na discussão sobre sua identidade e motivação, de um outro assassino em série famoso. David Berkowitz, ou "Filho de Sam", que se notabilizou como matador de mulheres nos anos 70, em Nova York, escreveu uma carta de três páginas à rede de televisão Fox, na semana passada, para dizer que, em sua opinião, o autor dos ataques em Washington tem "uma tremenda raiva do FBI e talvez do governo dos Estados Unidos em geral". Berkowitz, que cumpre pena de prisão perpétua e se converteu em cristão fundamentalista na cadeia, deixava bilhetes à polícia junto às vítimas. Heriberto Seda, conhecido como o "assassino do zodíaco" por ter planejado matar uma pessoa de signo astral em meados dos anos 90, também comunicava seus crimes em cartas a colunistas de jornal.O responsável pelas mortes em Washington não parece ter o mesmo gosto pela publicidade. A julgar pelo que a polícia tornou público das três ou quatro mensagens que o criminoso deixou, não há paralelos com os casos anteriores de assassinatos em série."Ele não está transmitindo nada sobre sua relação com a polícia, ou sobre se tem contas a acertar à polícia, ou mesmo se tem uma agenda política", disse o psiquiatra forense Michael Welner, da Universidade de Nova York, à agência Reuters.Welner referia-se à carta de tarô encontrada no local de onde, supostamente, partiram os disparos que feriram gravemente um estudante de 13 anos na cidade de Bowie, em Maryland, há duas semanas."O fato de ele não ter manifestado qual é sua motivação demonstra, para mim, que o que está por trás disso, para ele, é (seu desejo de provar) que é capaz de sair, agir de forma destrutiva e demonstrar que pode ser destrutivo com um alto grau de precisão."Uma teoria sob investigação é a de que o autor dos disparos exerceu ou exerce alguma atividade que o tornou um grande conhecedor de certas áreas da região metropolitana e, em particular, dos padrões de tráfego de veículos.Ele parece conhecer, por exemplo, lugares onde há conversões à direita, que são livres e permitem que deixe rapidamente o local de onde faz os disparos.Uma atividade possível é a de entregador de encomendas. A outra pista óbvia é a de que ele é um atirador treinado, e tem acesso a armas automáticas. Mas a utilidade dessa informação é relativa: ele pode ser um ex-militar, um ex-policial ou um praticante da caça esportiva, uma atividade de tem dezenas de milhares de adeptos na região onde ataca.Uma outra hipótese, que a polícia não descarta, é a de que haja mais de um criminoso em ação.

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