Ex-soldados acusam Israel de abusos na Faixa de Gaza

O Exército de Israel utilizou de forma irresponsável sua força durante a ofensiva militar de três semanas promovida contra a Faixa de Gaza entre o fim de 2008 e o início deste ano, provocando mortes e danos desnecessários, acusam ex-soldados israelenses em um relatório divulgado hoje. O Exército israelense nega. O grupo "Quebrando o Silêncio", uma organização de oficiais da reserva das forças armadas de Israel, colheu os depoimentos de 26 soldados que participaram da ofensiva. Pelo menos 1.100 habitantes de Gaza morreram durante a ofensiva de três semanas iniciada em 27 de dezembro de 2008, segundo dados de ambos os lados.

AE-AP, Agencia Estado

15 de julho de 2009 | 10h04

O grupo dos ex-soldados descreveu a demolição deliberada de casas e o uso do poderio militar muito além do necessário, em vista da resistência relativamente fraca encontrada pelo Exército de Israel. No documento, a identidade dos soldados é preservada. O grupo também não fornece as datas e os locais de onde teriam acontecido os abusos. O exército israelense reagiu acusando o grupo de "calúnia e difamação contra as Forças de Defesa de Israel e seus comandantes". Segundo o ministro da Defesa, Ehud Barak, as forças armadas israelenses "são um dos exércitos mais éticos do mundo e atuam de acordo com os mais elevados códigos morais".

Em depoimento, um soldado admite que sua unidade utilizou civis palestinos como escudos humanos, forçando-os a entrar em imóveis onde haveria milicianos e a derrubar paredes com marretas. "Os comandantes diziam que eram essas as instruções e que tínhamos de cumpri-las", diz o militar. Outro soldado afirma que as instruções sobre em quais circunstâncias atirar eram bastante vagas. "Minha impressão sobre as regras de engajamento era que, pelo menos no nosso nível, elas não eram claras."

Hamas

O líder do governo liderado pelo grupo islâmico Hamas no território palestino litorâneo, Ismail Haniye, denunciou que o "relatório expõe os crimes cometidos em Gaza". Ele pediu a grupos internacionais de defesa dos direitos humanos que levem os líderes israelenses à Justiça. Em março, o grupo Centro Palestino de Direitos Humanos divulgou a identidade de 1.417 palestinos mortos durante a ofensiva militar israelense, afirmando que 926 deles eram civis, 236 eram milicianos e 255 eram integrantes das forças locais de segurança.

Dias depois, o Exército de Israel contestou as denúncias de que a maior parte dos mortos fosse composta por civis. Além disso, afirmou que 1.166 pessoas morreram em Gaza durante a ofensiva, das quais 709 seriam militantes do Hamas. O número de civis mortos seria de pouco menos de 300. O anúncio não esclareceu se as outras 162 pessoas mortas eram combatentes ou civis, nem forneceu a identidade das vítimas.

Ofensiva

Israel lançou a ofensiva com o objetivo declarado de interromper anos de lançamento de foguetes palestinos contra sua fronteira. O Exército usou força sem precedentes na pequena faixa mediterrânea, incluindo mais de 2 mil ataques a bomba, barragens de artilharia e morteiros contra militantes palestinos que operavam em áreas residenciais. Grupos de defesa dos direitos humanos acusam tanto Israel quanto o Hamas de colocarem civis em perigo. O Hamas ao usá-los como cobertura e Israel ao usar força desproporcional na densamente povoada Faixa de Gaza.

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