Ex-terrorista alemã será libertada após 24 anos de prisão

A ex-terrorista Brigitte Mohnhaupt será libertada após passar mais de 24 anos na cadeia por uma condenação à prisão perpétua por pertencer à Fração do Exército Vermelho (RAF) e participar de vários assassinatos.Esta decisão foi tomada nesta segunda-feira pela Audiência Territorial deStuttgart, que aceitou um pedido para que Mohnhaupt seja colocada emliberdade condicional após ter cumprido uma parte considerável desua pena e o mínimo de 25 anos que a lei estabelece para oscondenados à prisão perpétua.O tribunal disse que atualmente não há indícios de que Brigitte Mohnhaupt represente um perigo para a sociedade, por isso ela deixará a prisão em 27 de março e, durante cinco anos, terá que comparecer regularmente perante a Polícia.Mohnhaupt, de 57 anos, pertenceu à cúpula da RAF, também conhecida como o Grupo Baader-Meinhof, entre 1977 e 1982, quando foi capturada.CrimesBrigitte Mohnhaup participou das ações que levaram aos assassinatos do banqueiro Jürgen Ponto, morto por ela, e do promotor federal Siegfried Bubak, em 1977, assim como do seqüestro e do assassinato do chefe da patronal Hans Martin-Schleyer.Em 1976, Mohnhaupt foi chamada para depor como testemunha no julgamento dos líderes da primeira geração da RAF, Andreas Baader eUlrike Meinhof, mas se negou a falar aos representantes do Estado.Baader e Meinhof a consideravam como sua sucessora à frente da organização e a preparavam para que assumisse o controle do grupo.Em 1985, Mohnhaupt foi condenada a cinco prisões perpétuas e aquinze anos de prisão.Prisão perpétuaNo entanto, na Alemanha, só em casos extremos, em que haja razõespara crer que o condenado representa um alto risco para a sociedade,os sentenciados à prisão perpétua morrem na prisão. Grande parte édeixada em liberdade condicional após um longo período na cadeia.No caso de Mohnhaupt, a própria Promotoria tinha apresentado asolicitação de libertação por considerar que as perspectivas dereinserção são positivas.Mohnhaupt aderiu à declaração de dissolução da RAF de 1998 e asautoridades consideram que abjurou de modo convincente da lutaarmada como forma de perseguir objetivos políticos.Os familiares das vítimas, em vista da iminente libertação de Mohnhaupt, lamentaram que a ex-terrorista não tenha feito até agora uma manifestação de arrependimento por seus atos e tenha se limitado a admitir em abstrato sua "responsabilidade" pelos atos da RAF.

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