Ex-tesoureiro do PP tem mais dinheiro oculto na Suíça

O ex-tesoureiro do Partido Popular espanhol (conservador, situação), Luís Bárcenas, possui mais dinheiro do que se imagina em contas na Suíça: um total de 47 milhões de euros (US$ 62,4 milhões), segundo informações divulgadas pela Justiça da Espanha nesta sexta-feira.

AE, Agência Estado

14 de junho de 2013 | 17h45

O juiz da Audiência Nacional, Pablo Ruz, revelou, em um auto processual, que Bárcenas acumulou dinheiro em uma segunda conta bancária: mais do que os US$ 30 milhões que admitiu ter no primeiro momento. Há meses, o magistrado cancelou o passaporte do tesoureiro do PP, por risco de fuga.

Bárcenas, de 55 anos, é figura central de vários casos de corrupção que afetam o governo de Mariano Rajoy. O caso tem despertado em amplos setores da população uma grande indignação e o sentimento de que os políticos se enriquecem com total impunidade, enquanto a sociedade paga a prolongada crise econômica. O desemprego, o aumento da carga tributária e o corte dos serviços essenciais são outros problemas relatados pelos espanhóis.

O juiz Pablo Ruiz investiga a relação do dinheiro de Bárcenas, na Suíça, com uma suposta trama de financiamento ilegal do partido.

O advogado de Bárcenas desvinculou a fortuna da Suíça de qualquer atividade ilícita e disse que o dinheiro era fruto de muitos anos de negócios e investimentos legais.

Bárcenas também é o suposto autor de um dos documentos que remete a quase 20 anos de um "caixa dois" (recursos não contabilizados), com repasses sistemáticos a dirigentes do PP, incluindo o próprio primeiro-ministro Rajoy. Os indícios contábeis foram publicados pelo jornal El Pais, no dia 31 de janeiro, e estão sendo analisados pela Justiça, que ainda não se pronunciou oficialmente sobre seu conteúdo.

O PP nega a veracidade dos papéis e Rajoy disse não ter recebido dinheiro de "caixa dois". Já Bárcenas declarou à promotoria que a letra dos papéis do El País não é sua.

Luis Bárcenas tornou-se o número dois da área de finanças do PP em 1991. Em 2008, foi promovido a tesoureiro por Rajoy, sendo expulso do partido no ano seguinte. Também foi senador entre 2004 e 2010. Fonte: Associated Press.

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