Ex-transexual poderá concorrer a Miss Universo Canadá

A Organização Miss Universo declarou nesta terça-feira que poderá reverter uma decisão anterior e permitir que uma mulher que foi um transexual no passado possa participar do concurso de Miss Universo Canadá. Jenna Talackova, de 23 anos, nasceu homem, mas há quatro anos se submeteu a uma cirurgia de mudança de sexo e virou mulher. Isso fez com que os organizadores do concurso desclassificassem Talackova, uma vez que as normas da organização comandada pelo magnata Donald Trump, em Nova York, estabelecem que apenas mulheres "naturais" podem participar das competições. Talackova, que vive na cidade de Vancouver, mudou de sexo há quatro anos.

AE, Agência Estado

03 de abril de 2012 | 15h57

A organização comandada por Trump anunciou que poderá reverter a decisão após Talackova ter anunciado uma coletiva de imprensa com a advogada Gloria Allred, para mais tarde nesta terça-feira em Los Angeles. O advogado de Talackova no Canadá, Joe Arvay, disse nesta terça-feira que o último comunicado do Miss Universo Canadá é "incompreensível". O comunicado disse que Talackova poderá concorrer "uma vez que ela obtenha o reconhecimento legal de gênero pelo governo do Canadá e os padrões estabelecidos por outros competidores internacionais".

Arvay disse que as exigências do Miss Universo Canadá não estão de acordo com a legislação de direitos humanos do país e que ele entrará com uma queixa na Comissão de Direitos Humanos do Canadá, que funciona na província canadense de Ontário. "Na ausência de clareza, nós vamos prosseguir", disse Arvay.

A desclassificação rendeu a Talackova uma ampla simpatia no Canadá. Ela disse que viveu sua vida como mulher desde os 4 anos, começou a fazer tratamento com hormônios aos 14 e realizou a cirurgia de mudança de sexo aos 19.

Connie McNaughton, eleita Miss Mundo pelo Canadá em 1984, disse que a desclassificação de Talackova foi uma decisão obsoleta e discriminatória. Do lado conservador da sociedade canadense, Gwen Landolt, vice-presidente da associação Real Women of Canada, disse que a organização do concurso agiu corretamente e foi simplesmente realista ao barrar Talackova.

As informações são da Associated Press.

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