Rodrigo Abd/AP
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Ex-vice argentino é condenado a mais de 5 anos por corrupção 

Tribunal estabeleceu multa de 90 mil pesos e a inelegibilidade permanente de Amado Boudou

O Estado de S.Paulo

07 Agosto 2018 | 15h16
Atualizado 07 Agosto 2018 | 19h31

BUENOS AIRES - A Justiça da Argentina condenou nesta terça-feira, 7, o ex-vice-presidente argentino Amado Boudou (2011-2015) a 5 anos e 10 meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e negociações incompatíveis com o exercício da função pública na suposta compra irregular da gráfica de impressão de papel moeda Ciccone. O caso de corrupção foi um dos mais famosos durante o kirchnerismo.  

Um tribunal em Buenos Aires ordenou a detenção imediata de Boudou, de 55 anos, e estabeleceu uma multa de 90 mil pesos argentinos (US$ 3.200) e a "inabilitação especial perpétua" para assumir cargos públicos. 

A Justiça argentina também impôs uma pena de 5 anos e meio de prisão para José María Núñez Carmona por considerá-lo "partícipe necessário" desses crimes e uma de 4 anos e meio para Nicolás Ciccone, ex-dono da empresa, como "autor criminalmente responsável" de corrupção ativa.

O tribunal também ordenou a prisão preventiva para ambos, mas, no caso do segundo, sob a modalidade domiciliar.

A Justiça argentina considerou provado que Boudou e seu sócio Núñez Carmona adquiriram a empresa falida Ciccone Calcográfica quando o primeiro era ministro da Economia (2009-2011) com o objetivo de obter contratos com o Estado para a impressão de cédulas de dinheiro e de documentos oficiais.

Segundo a investigação, a compra aconteceu por meio da sociedade The Old Fund de Alejandro Vandenbroele, suposto testa de ferro de Boudou, que hoje foi condenado a 2 anos de prisão, mas ficará dispensado de cumprir esta pena, e a trabalhos comunitários não remunerados.

Além disso, o tribunal estabeleceu uma pena de 3 anos de prisão para Rafael Resnick Brenner, que na época era chefe de assessores do Fisco, e uma de 2 anos e meio para Guido Forcieri, então chefe de gabinete de assessores no Ministério da Economia, mas ambos também ficarão dispensados de cumprir a condenação em regime fechado.

Durante suas últimas palavras no julgamento, o ex-vice-presidente se declarou vítima de uma perseguição por tentar "transformar a realidade" do país e garantiu que a acusação de corrupção "não tem nenhum sentido nem nenhum vínculo com a prova porque não existiu". / EFE e AP 

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