Ex-vice chavista liga banco argentino ao caso da mala

Segundo Rangel, funcionários venezuelanos trocam bônus da PDVSA por dólares e os enviam ao Banco del Sol, que nega

Ariel Palacios, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2028 | 00h00

Buenos Aires - O ex-vice-presidente da Venezuela José Vicente Rangel denunciou a existência de um "estranho vínculo" entre funcionários públicos de seu país e uma pequena entidade financeira argentina, o Banco del Sol. Segundo Rangel, que até janeiro foi vice do presidente Hugo Chávez, funcionários públicos venezuelanos compram bônus da estatal petrolífera venezuelana PDVSA e os trocam por dólares. Na seqüência, enviam o dinheiro para o Banco del Sol, na Argentina. "Se forem atrás dessa pista, a informação leva diretamente à maleta", disse Rangel. "Entre os pontos obscuros está o Banco del Sol."Ele se referia ao "escândalo da mala", o misterioso caso, no início do mês, envolveu funcionários da PDVSA, assessores do presidente Néstor Kirchner e o empresário venezuelano Guido Antonini Wilson. Antonini tentou entrar na Argentina com uma maleta com US$ 790 mil sem declarar. Ele estava acompanhado por Daniel Uzcateguy, filho do gerente-geral da PDVSA América, Diego Uzcateguy. A quantia foi confiscada. Além deles, dentro do pequeno grupo que viajou no jatinho que fez o vôo Caracas-Buenos Aires, estava o diretor do organismo argentino de fiscalização de estradas e pedágios, Claudio Uberti, cuja função "paralela" era a de negociar acordos comerciais entre os dois países."O Banco del Sol tem uma filial em Caracas", afirmou Rangel. Na Argentina, o banco - com sede na cidade de La Plata - teria somente duas filiais: uma na Província de Tierra del Fuego e a outra, em Río Gallegos, capital da Província de Santa Cruz, feudo político de Kirchner. Río Gallegos tem apenas 80 mil habitantes. Informações que circulam nos meios financeiros de Buenos Aires indicam que, embora esteja no extremo sul do país, a filial de Río Gallegos tem numerosas contas de venezuelanos.Segundo o Banco del Sol, Rangel "fez confusão" com o nome do banco, já que existe outra entidade, com o mesmo nome, na Venezuela. "Não temos clientes no exterior", afirmou um porta-voz da instituição.

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