Ex-vice-presidente iraquiano é condenado à morte

Um tribunal iraquiano elevou nesta segunda-feira a sentença emitida contra o vice-presidente de Saddam Hussein pela morte de 148 xiitas na cidade de Dujail na década de 1980. Dessa forma, ao invés de cumprir sentença de prisão perpétua, Taha Yassin Ramadan será enforcado.A decisão era esperada desde que um tribunal de apelações concluiu que a sentença de prisão perpétua era "leve demais". Com isso, Ramadan torna-se o quarto integrante do regime deposto a ser condenado à morte no âmbito do processo que apurou as mortes em Dujail.O ex-ditador iraquiano Saddam Hussein, seu meio-irmão Barzan Ibrahim e o ex-presidente do Tribunal Revolucionário do Iraque Awad Hamed al-Bandar já foram enforcados.Os 148 xiitas foram executados pelo regime de Saddam em 1984. Eles haviam sido condenados à morte por suspeita de envolvimento num atentado perpetrado contra Saddam em Dujail, ao norte de Bagdá, dois anos antes.Ramadan permaneceu em silêncio durante a audiência, mas reagiu furiosamente quando a sentença foi divulgada. "Eu juro por Deus que sou inocente. Alá está ao meu lado e se vingará de todos aqueles que me trataram injustamente", gritou.O presidente da corte, Ali al-Kahachi, ordenou então que os guardas retirassem Ramadan do recinto. O magistrado informou que a apelação à decisão seria automática.Ramadan foi condenado à prisão perpétua em 5 de novembro. Um mês depois, a corte de apelações alegou considerar a sentença "muito branda" e enviou o caso de volta ao tribunal recomendando a sentença de morte. A corte acatou a recomendação.Três outros réus no processo foram condenados a 15 anos de reclusão e um foi absolvido.Saddam foi enforcado em 30 de dezembro. Ibrahim e Bandar foram executados em 15 de janeiro. As execuções revoltaram a comunidade sunita, especialmente depois da divulgação de informações segundo as quais o meio-irmão de Saddam teve a cabeça decepada no processo de enforcamento.

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