Ex-vice-primeiro-ministro protege Saddam em julgamento

O ex-vice-primeiro-ministro iraquiano Tareq Aziz, mantido sob custódia das forças dos Estados Unidos desde a invasão do país, em 2003, compareceu nesta quarta-feira como testemunha de defesa ao tribunal que julga o ex-presidente Saddam Hussein e sete de seus antigos colaboradores.Aziz, vestindo um pijama, defendeu a postura dos oito processados, acusados de participação na execução de 148 xiitas da aldeia de Duyail, após um julgamento sumaríssimo em 1983.Os 148 executados foram considerados culpados de uma tentativa de assassinato contra Saddam Hussein, em 1982, em Duyail, cerca de 70 quilômetros ao norte de Bagdá."Saddam tinha direito de julgar todos os que tiveram relação com a tentativa de assassinato. O presidente não adotou nenhuma medida extraordinária", alegou Aziz, o mais alto ex-dirigente iraquiano a comparecer ao tribunal como testemunha de defesa desde o início do julgamento, em outubro.Aziz considerou que a tentativa de assassinato fazia parte de uma "conspiração de grupos iraquianos pró-Irã contra membros do governo e do partido".Além disso, afirmou que ele mesmo, em 1982, foi alvo de uma tentativa de assassinato durante uma visita à universidade de Al Munstanseriya, em Bagdá, na qual morreram várias pessoas."Muita gente morreu numa série de atentados com explosivos contra vários Ministérios, além da tentativa de assassinato do presidente Saddam Hussein em Duyail", acrescentou.Aziz responsabilizou pela campanha de ataques o Partido Dawa (Chamada), xiita, ao qual pertencem o atual primeiro-ministro, Nouri al Maliki, e seu antecessor, Ibrahim al-Jaafari. Por isso, pediu que os dois "sejam julgados por crimes contra os iraquianos".

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