Exames concluem que Neruda não foi envenenado

O mistério de quatro décadas sobre se o poeta chileno Pablo Neruda foi envenenado foi aparentemente esclarecido nesta sexta-feira, quando exames forenses mostraram que não há agentes químicos em seus restos mortais. Apesar disso, a família e o motorista do ganhador do prêmio Nobel de literatura não ficaram satisfeitos e disseram que pedirão mais exames.

Agência Estado

08 de novembro de 2013 | 14h53

Neruda morreu sob circunstâncias suspeitas durante o caos que se instalou no país com o golpe militar de 1973. A versão oficial diz que ele morreu de câncer, mas o motorista e auxiliar do poeta e afirma que agentes da ditadura de Augusto Pinochet injetaram veneno no estômago de Neruda quando ele estava internado na clínica Santa Maria, em Santiago. O corpo do poeta foi exumado em abril com o objetivo de determinar a causa de sua morte.

"Nenhuma substância química relevante foi encontrada que possa ser ligada à morte de Neruda", afirmou Patricio Bustos, chefe do serviço de medicina legal do Chile, enquanto lia os resultados dos sete meses de investigação realizada por um grupo de 15 cientistas forenses.

Bustos disse que os especialistas encontraram traços do medicamento usado pelo poeta para tratar seu câncer, mas não há evidências forenses que provem que a morte de Neruda tenha sido provocada por qualquer causa que não tenham sido natural.

Porém, o resultado não satisfez familiares e amigos de Neruda, que afirmam que o caso ainda não foi solucionado. "O caso de Neruda não se encerra aqui", disse o advogado do Partido Comunista chileno, Eduardo Contreras. "Hoje mesmo vamos requerer mais amostras. Eles procuraram agentes químicos, mas não foram feitos estudos sobre agentes biológicos. Um capítulo muito importante foi encerrado e isso foi feito com muita seriedade, mas isso não está acabado."

Neruda, que ganhou o prêmio Nobel de Literatura em 1971, é mais conhecido por seus poemas, mas ele também foi diplomata e político de esquerda, além de amigo próximo do presidente socialista Salvador Allende, que morreu durante o cerco ao palácio de La Moneda, no dia do golpe liderado por Pinochet.

Allende teria cometido suicídio no interior do palácio presidencial, mas a questão também é controversa e há suspeitas de que ele foi assassinado pelas forças do golpe. Fonte: Associated Press.

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