Exames de DNA absolvem britânico preso há 27 anos

Um britânico que passou 27 anos na prisão deixou o local hoje depois que sua condenação foi derrubada por um exame de DNA, um caso que pode ajudar outras pessoas que podem ter sido erroneamente condenadas. Após a decisão, promotores disseram que podem rever outros casos nos quais pessoas foram condenadas antes do advento dos testes de DNA. O Tribunal de Apelação Britânico determinou que Sean Hodgson, de 57 anos, não matou Teresa De Simone, de 22 anos, em 1979.

AE-AP, Agencia Estado

18 de março de 2009 | 16h48

Ela foi encontrada estrangulada, dentro de seu carro, do lado de fora do pub onde trabalhava em Southampton, 130 quilômetros a sudoeste de Londres. Hodgson deixou o tribunal com familiares e seus advogados. Com aparência pálida, ele acenou para os jornalistas e disse que estava empolgado. "É bom estar livre de novo". Exames de DNA não existiam em 1982, quando Hodgson foi condenado à prisão perpétua. Mas uma análise pedida recentemente pelos advogados de Hodgson mostrou que o DNA encontrado no local do crime não é de seu cliente.

O Serviço de Procuradoria da Coroa, responsável pela maioria dos processos na Inglaterra e no País de Gales, informou nesta quarta-feira que pode rever outros casos nos quais haja evidências de DNA disponíveis e que os réus estejam vivos. Inicialmente, Hodgson confessou o crime, mas depois desmentiu e jurou inocência. Seus advogados argumentaram que ele é um mentiroso patológico e que qualquer confissão que ele fizesse seria falsa.

Poucos britânicos permanecem detidos, em prisão perpétua, como Hodgson, mesmo quando condenados por assassinato. O advogado de defesa Julian Young disse à rádio BBC que se Hodgson tivesse mantido sua versão de culpa em vez de afirmar sua inocência, teria sido libertado antes. "Se alguém nega um crime, um crime muito sério, isso é um fator para efetivamente evitar a liberdade condicional", disse Young.

Os promotores haviam usado a confissão de Hodgson e uma amostra de sangue colhida no local do crime, compatível com seu tipo sanguíneo, para condená-lo. Mas o presidente do tribunal, Igor Judge, disse que exames de DNA deixaram claro que Hodgson não foi a pessoa que atacou De Simone. A polícia disse que as investigações sobre a morte da mulher irão continuar. O juiz também revelou que o caso contra Hodgson poderia ter sido resolvido uma década atrás, quando seus advogados pediram pela primeira vez a realização de um exame de DNA. Os advogados foram comunicados, incorretamente, que não havia material para ser analisado. O juiz disse que o erro está sendo investigado.

Inocência

Exames de DNA tem sido usado para retirar pessoas da prisão em todo o mundo. Nos Estados Unidos, mais de 200 condenados provaram sua inocência, segundo o Projeto Inocência, que presta auxílio nesse tipo de caso. Eric Ferrero, porta-voz da organização, disse que 25% dos que foram libertados haviam admitido a culpa pelos crimes que não cometeram, mesmo em declarações iniciais ou comissões de condicional. Ferrero citou o caso de Christopher Ochoa, que assumiu a culpa por um assassinato em 1988, no Texas, para evitar a pena de morte. Ele foi libertado em 2001.

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