Cézaro De Luca/EFE
Cézaro De Luca/EFE

Exames não encontram traços de pólvora nas mãos de promotor argentino

Nisman havia denunciado a presidente por proteger os suspeitos do atentado de 1994 a uma instituição judaica de Buenos Aires

O Estado de S. Paulo

20 de janeiro de 2015 | 14h37

BUENOS AIRES  - Os exames realizados para detectar se havia vestígios de pólvora nas mãos do promotor Alberto Nisman, encontrado morto em seu apartamento na madrugada de segunda-feira, deram negativo. Nisman foi o autor de uma grave denúncia contra a presidente Cristina Kirchner e importantes autoridades do governo.

A promotora Viviana Fein declarou à Rádio Mitre que "o resultado da varredura eletrônica na busca de resíduos nas mãos" de Nisman "lamentavelmente deu negativo". O promotor havia denunciado a presidente por proteger os suspeitos do atentado de 1994 a uma instituição judaica de Buenos Aires. Fein lembrou, porém, que este "não é um resultado inesperado" em razão do "calibre pequeno da arma" utilizada para matar Nisman.

"Como é uma arma de calibre 22, e não uma arma de guerra, geralmente a varredura eletrônica dá resultado negativo", afirmou Fein, que afirmou que o resultado "não descarta que ele tenha disparado (a arma)". Ela lembrou também que a autópsia destacou que não havia outras pessoas no momento da morte do promotor.

Nisman foi encontrado com um tiro na têmpora direita. Uma pistola calibre 22 estava ao seu lado, assim como a cápsula deflagrada da bala. O corpo estava no banheiro de seu apartamento, cujas portas não haviam sido forçadas. "Há muitas formas de investigação e temos de esperar novos resultados, também no que diz respeito à análise do sangue encontrado na arma e no local", afirmou a promotora.

Fein explicou que "estão sendo realizados exames com o DNA para que o resultado seja preciso" e garantir se o sangue encontrado "corresponde ao de Nisman" ou ao de outra pessoa.

Nisman foi encontrado morto poucas hora antes de testemunhar perante o Congresso, onde apresentaria as provas contra a Cristina Kirchner. Cinco dias antes ele havia acusado a presidente de idealizar um plano para garantir a impunidade dos iranianos acusados do atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA) em 1994, que deixou 85 mortos.

Na semana passada, Nisman havia pedido a um juiz que convocasse Cristina, o chanceler Héctor Timerman e outras pessoas próximas ao governo para que fossem interrogadas pela execução do suposto plano.

"A presidente e seu ministro de Relações Exteriores tomaram a decisão criminosa de fabricar a inocência do Irã para saciar os interesses comerciais, políticos e geopolíticos da Argentina", disse Nisman em comunicado à imprensa ao qual a Associated Press teve acesso. A presidente nega as acusações do promotor.

Nas próximas horas, devem testemunhar perante um tribunal os dez policiais que faziam a segurança de Nisman. O promotor recebeu várias ameaças durante a investigação do ataque, iniciada dez anos atrás.

Buscas. Sites de notícias argentinos informaram que a polícia está realizando buscas no escritório de Nisman. Fontes judiciais citadas pelos sites dizem que computadores e outros documentos serão analisados. O pedido de buscas foi feito pela promotora Vivana Fein, que investiga o caso. Ela procura descobrir também se Nismam passava por algum tratamento médico ou psicológico para saber se ele sofria de estresse ou depressão. / COM ASSOCIATED PRESS 

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